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sábado, 29 de dezembro de 2012

poesia do poder

É muito nada para fazer
Chuvas de excesso de prazer
Sem solidão ou melancolia
Que amenizem o poder
e suas alegorias.

É muito sorriso amigo
É muito do próprio umbigo
A torta que eles servem
São fatias do que eles bebem.
Batidas de hipocrisia
Embriaguez de ironia.

Sorte ou Sabedoria?
Drogas de padaria
Religiões e mentes frias
Só para esquecer
Toda essa putaria.

Parece combinado
Tá tudo errado!
Chegamos ao veredicto
Se não empurrar
a gente vai atolar.

Será o Benedito?!
Para atolar, há de haver lama
ou
Um idiota
e um pouco de fãma.

Hoje

Hoje eu me sinto amanhecendo
Depois de uma madrugada tempestuosa
Subindo algumas notas
Vivendo, mais do que querendo.

Hoje eu ouço a banda tocar
Vejo o sol saltando do mar
O gosto do beijo que anseia no paladar
E as lembranças como fotos
que a memória preferiu revelar.

Nessa vida, não sei o quê
mais machucou
E não só meus erros
Me disseram quem eu sou.

Deus e seus significados
O quarto vazio emoldura meus sentimentos
A coincidência e seus infinitos lados
Vou vivendo sempre em dúvida
Nessa prova de escolha múltipla
Fugindo de ladrões que se escondem
Atrás das cortinas e muros dos padrões.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Eu sou

Eu sou o que eu não fiz,
o que vi e pelas quais passei.
Eu sou o que não sei.
Eu sou, o que são, foram
e um dia serão
minhas vivências.
Eu sou - o que - as aparências.
(me permitem ser)

No fim, eu nada sou,
sendo apenas o que ouvi,
o que falei ou, quase sempre,
o que farei.

Numa efemeridade constante
Apenas faço o que me permite
ser, a ideia que cada um quer ser
para si próprio.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Estou acostumando
com um tipo de moças
que vêem todos os dias
o mundo renascer.

Dessas que fazem questão
de dizer quem são
E o que esperam.

Sorrindo e encaixando
nossos sentimentos sob
raras luas cheias azuis.

Não sei se, por acaso,
Ou por capricho,
Elas sempre sabem o que
querem para si
E nisso não posso
estar incluso,
ou não quero.

Por essa mania de
ter tudo e não ver
nada.
A luz parece apagar
meus rastros deixados
pela estrada.

E a plenitude vêm
quando o resto se vai.

Consciente

Essa minha poesia
de fachada
Faz minha respiração
se aconchegar
Em sentimentos que já
foram angústias
Do suor que escorre
no rosto do trabalhador
uniformizado,
flexibilizado.

É como gostar de tomar
ácido
E poder sentir as entranhas
deteriorando-se aos poucos.

Às vezes sei
É foda ou
sou um merda.
Procurando por verdades
que eu já cansei
de deixar passar.

Consciente relativo.

Acabaram de me dizer
que saber é poder.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

mudei de ideia.

Não sei se
nossa diferença dos
animais, é
o sentimento.

Sentir
é diferente de
Saber sentir.

Estaríamos,
Poderíamos,
estar viciados
Não no viver
mas no que fazemos
dele.

O que as pessoas
fazem de suas próprias
versões de vida?

A noção do fazer
tautológico.
Viciado em prazeres
falsos e previsíveis.

E aos que
fazem o feio
ficar bonito
Talvez eu ainda
não saiba,
Mas algo me diz
que essas pessoas
venceram.

não sei

Essa inconstância sentimental
que me distrai
de situações tão inúteis
como as do meu viver.

Sofrer no escuro
distante de toda a luz
Esperando por uma
mensagem, que seja
um telefonema.

De dia
ou à noite
ir além
dos meus muros.

O que me falta
é saber dizer
o que falta?

E no interior do meu
peito
Descobrir
que não tem jeito.

Por toda essa transcendente
originalidade
Busco ao meu redor
qual é a minha
realidade?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ineficiência

Vejo na TV
Ídolos cantarem
Não qualquer um
Daqueles que fazem
cérebros gorfarem.

Já repugnei esse tipo
que se faz
e desfaz
Na massa
Reproduzindo.
Induzindo.

As vezes digo
Esperava mais
Sem fazer mais
Por quem esperou
mais de mim.

Vomitei
Minha auto-estima
Minha mente sente
Náuseas,
No meio desse excesso
vejo cabeças na privada
Por todo esse sucesso.

Da hipocrisia ao acesso
há verdades desnecessárias
feitas as pressas.

Bem ou mal
o amor parece mentira
quando me pego
a olhar para trás
Numa longa escalada
de um poço sem saída.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Debilidades

Exaltação da calma
Faz em estilhaços
Erros a esmo
Afiados.
Amolados pela alma

Espalhados
pelo suco
das minhas sequelas.

Quem dera,
Se meu bem viver
Se fizesse
sempre antes.

Amanheço.
Adormeço.
Acordo e desconheço.

Quem dera,
Se minha tranquilidade
Soasse feito estribuchos
de amor.

Não soou intelectual?
Não parece marginal?

PENSE.
Porque a vida
vai além
de fotos e palavras
para postar no seu face.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

De costas

Rostos,
Já não gosto mais.
Dizem muitas vezes
o que não são.

Sob um par de pés
que vão para
Algum lugar
que eu não sei
qual é.

Prefiro as costas.

Mesmo não dizendo nada
Trazem a tona
Uma silhueta familiar
que eu sei
Pra onde vai,
pra onde foi
e pra onde...
Não posso mais ver.

Deixa para lá,
passou alguém
e eu nem vi.

sábado, 24 de novembro de 2012

culpa

Quando seus valores mais 
corretos
Começam a sussurrar lá 
no fundo 
Daquilo que você chama 
consciência
Coisas como: "você é um
bosta." 

Acredite.

A madrugada vai parecer
tão inerte
quanto você.

E a maré 
que como uma boa bohemia
Entra em ressaca.

Na escuridão,
o barulho das ondas 
e o peso da cabeça
se destacam.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Casa arrumada

Não, eu não me basto
Apenas faço
Apenas sinto
Apenas sou
Apenas sei que sei

Não me redimo
Mas ainda me controlo
Se eu chorar,
Quem vai ligar?

As vezes a vida segue reta
Sem cor nem sabor
Mas ela sempre propõe,
Uma curva
Que seja uma dor
Toc! Toc!
Está na porta o amor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

bivalências

Alterado estou eu
Separando o verde do cifrão
Acreditando mesmo que em vão
No meu futuro e no seu

Felicidade quero eu
Pra poder saber o que me faz bem
Sem nunca querer o mal de ninguém
Sigo caminhando em linhas tortas
Atravessando desafios de porta em porta

E dizem que a liberdade morreu
Só de saber sem querer
Os materiais que cada um quer ter
Num pensamento altruísta
Que vai além dessas merdas pessimistas

Dignidade, alegria e liberdade
Estou disponível no intransponível
É subjetivo o nosso objetivo
E a adaptação flui
Como o amor de quem o possuí

domingo, 4 de novembro de 2012

um brinde ou não.

As vezes
a gente tem vontade
de morrer acho que só
para saber
o quão somos importantes.
Esquecendo sempre
a nossa imensa importância
de não saber
quem nós somos.
Feliz, vez em quando,
é aquele que sabe quem é
Mas do que seria a felicidade
sem a melancolia?
Sem ser senão
um imenso vazio
compelido ao imutável
Igual todos os dias?

sábado, 3 de novembro de 2012

De passagem.

Sinto-me perdido
Em meio a infinitos significados
Esperando por um novo mundo
Os paradigmas se abrem
Num leque frontal a você

Diga para mim
o que é realmente certo?
Minha concepção tão idiota
Quanto a qualquer outra
Na espera de uma mentira
Que realmente valha pena

Pertenço a todos os mundos
Sem qualquer pertencimento
Entre a vida e a morte
Não quero ser só um mecanismo
Nem fazer valer o irrealismo
Elaboro espaços belos e sublimes
Para quase me tornar
Ao menos um bom sonhador

Interpretar eu mesmo
Através do peso nos ombros
Nativo da ingratidão
Movido pelo coração

Estou de passagem
E a passeio
Eu creio no caos
Da liberdade estamos todos
Presos
Divididos ao meio.

domingo, 28 de outubro de 2012

Ver ou ser.
Crer ou ver.
Ser e crer.
Ter para ver.
Ser para ter.
Ter e viver.
Ser. Morrer.

sábado, 27 de outubro de 2012

eu sense.

Vêm e vão as dores,
Os temores e os motivos
Dos tremores de desaviso
Numa inconstância poética
De causas sem valor
Até onde eu for
E não querer mais ser
Uma figura sem cor.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dualidades

Entre a felicidade e o bem
Entre a melancolia e o não espaço
Seguimos vivendo então
Por uma trilha tortuosa
Que a vida coloca em nosso nome.

Por uma mente sem miséria
Professores do crime
Desigualdade e pilhéria
Por uma vida boa sem fome
De longe ouço chamar a mentira.

A culpa de saber por onde vim
A responsabilidade de ir na contra-mão
Desde a infância até a ganância
Criança homem não se engane
A realidade tão vazia quanto a idade
Mas faz parte disso até nossa felicidade.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

até quando?

Amor pelas ideias,
de cheiros,
de sabêres,
de rostos e toques,
de gostos e sabores.

E pela meia verdade
a esperança
o meu porto seguro
num tom maior que ser
sigo buscando
pela subjetividade
o que ainda podemos ver.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A verdade mentiu para mim.

Compreendo agora não ser uma questão de crença
Minhas vontades e razões sem liberdade
Mas isso, é claro, foi tudo que me disseram
E escolhas independentes foram ofuscadas
Pelo quê? Talvez o rapaz bem sucedido saiba dizer.

Nem mesmo a fome do pão ou da carne
Deixam de ser reflexos do que um dia pude crer
Concepções captadas, reformuladas e... Precariezadas?
Feito as pressas será que
está mesmo tudo tão errado?

Vejo meu reflexo.
E ele se divide
Para finalmente não ser
O que pensava parecer.

O ar que respiro está pesado.
Não sei distinguir entre certo ou errado.
Não sei definir minhas crenças e ações.
Não sei quem é você.

Talvez eu não saiba
Mas a verdade é desvairada, confusa
E se você não perceber
Ela pode te fazer crer
Que você a encontrou.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

sobre o espelho

A minha lucidez vazia
que prefere esperar
fazendo parecer correta
essa vontade de me mudar.

A graça de não se abalar
de parecer e não ser
atravessar a barreira do visível
quando só alguns podem ver.

A coragem de me fazer mudar
mesmo que sem saber
por becos e estradas
na finitude do meu infinito ser.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Papéis Avulsos


   Estava quente e o sol ardia em seu rosto, o banco, que na noite passada fizera bem o papel de cama, soava desagradável em suas costas ao ouvir os estalos da madeira velha e seca. Pois bem se levantou e espreguiçou-se, “como fazem os bons felinos” pensou consigo. A boca seca fê-lo  olhar para o céu  como um lavrador em tempos de seca ora por chuva; os motivos eram distantes, mas a sede por uma garantia de sobrevivência se equiparavam afinal. 
   Observou a avenida movimentada a sua frente por alguns minutos ali de pé e, num súbito desentendimento com a realidade, se preocupou em desamassar as roupas e procurar por alguém para conversar.

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   João acabara de acordar e, com os olhos ainda fechados, escovava os dentes de pé em frente ao espelho sob a pia. Na cozinha, sua mãe preparava o café ao mesmo tempo em que falava no telefone com uma amiga.
   - João! O café está pronto! Anda menino, vai se atrasar para a aula!
   O rapaz, agora deitado em sua cama, já vestido e pronto para o que considerava sua rotina automática (acordar, comer, estudar, dormir) levantou-se, olhou pela janela – morava no oitavo andar de um edifício no centro da cidade – e viu as pessoas, como sempre cheias de pressa, indo para algum lugar. Deu meia volta e direcionou-se para a cozinha onde a mãe, com o dom que possuem muitas mulheres, falava ao telefone, lavava a roupa e a louça da cozinha ao mesmo tempo em que terminava de servir o café, não competindo dizer que, ainda por cima, cantava a música que tocava naquele momento no rádio.

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   Na rua, João esperava pelo ônibus quando um homem, de longas barbas, roupa rasgada e hálito parecido a aguardente com cigarros parou ao seu lado e, de frente para a avenida, indagou:
   - Tanta pressa e tão pouco tempo... Seja rico ou pobre, estamos todos perdidos, não concorda?
   O rapaz, um pouco indiferente, apenas assentiu positivamente com a cabeça e o homem continuou:
   - Sabe meu filho, eu tenho 48 anos ao todo e só 26 de vida, e...
   - Não entendo. Como pode o senhor ter duas idades, duas vidas em uma? - Interrompeu João.
   - Ora, é fácil! – O homem excitou-se com a atenção ganha – Tenho 26 anos de liberdade; aos 22, eu era assim, igual esse pessoal apressado – E apontou para a avenida.
   - Mas o senhor faliu? Abandonou tudo? – João interessava-se cada vez mais.
   - Fali sim, e junto com a falência o meu mundo caiu, minha mulher me abandonou e nunca tive um bom contato com a família. A vida passou a ser uma lástima, entende? Mas ai, me descobri cego diante de tanta clareza e, mergulhado na escuridão, ofusquei o superficial e o irrelevante que eu tanto pensava serem a luz da minha vida.
    João se pôs pensativo, afinal, o pensamento daquele sujeito coincidia com o seu, e continuava:
   - Olha, não me leve a mal, mas toda essa idéia de se ter uma meta, um objetivo na vida, é papo de quem nasce com mamadeira de cristal! Afinal, você acredita mesmo que esses riquinhos possuem dons naturais? Conversa para pobre desistir...
   João assentiu novamente; de longe viu sua condução se aproximar e tentou se despedir do homem a qual ouvira parte significativa da vida, mas encontrou somente uma figura distante, caminhando, provavelmente, em direção ao improvável. Deu sinal e entrou, observou da janela o homem por uma última vez, pouco antes de se perder em meio a confusão de pressas.

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   Durante a noite, após o jantar, já deitado em sua cama, o pensamento do rapaz novamente se voltou ao estranho que conhecera e não conseguiu evitar as palavras que saíram quase imperceptíveis de sua boca:
   - Aprendi mais com um mendigo do que em todos esses anos de escola...
   Pensou naquele encontro o dia todo, não podia deixar que aquilo o afetasse tão ferozmente. Aquietou a mente, virou para o lado e enganou a si mesmo quando pensou aquietar a mente.

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                                                              Final 1

   Caminhando madrugada a fora, o homem procurava por algo, não sabia o quê, mas continuava a caminhar. Sentou-se e encostou na parede de um edifício qualquer e sentiu um aperto no peito.
   - Finalmente! - Exclamou para si e, diante dele, tudo começou a escurecer, sobrando apenas um último pensamento:
   "Olá, liberdade!" E parou de respirar, ali, encostado em seu objetivo final.

                                                              Final 2

   Caminhando madrugada a fora, o homem procurava por algo, não sabia o quê, mas continuava a caminhar. Sentou-se e encostou na parede de um edifício qualquer e sentiu um aperto no peito. Vez em quando sentia saudades, mas também não sabia do quê. Talvez fosse apenas falta e não saudade. Falta de coisas que nunca existiram. 

   Começava a pegar no sono quando um cão sem dono se encostou ao seu lado, num gesto quase indecifrável para a nossa frágil compreensão de confiança e, olhando para o novo amigo peludo falou:
   -É, meu querido, a felicidade passa e a tristeza também... O que sobra além?
   O cão, como um bom ouvinte, olhou para o homem e pareceu entender. Conforme pegavam no sono, podia-se notar um sorriso no estranho e, no fundo dos seus pensamentos, quase se podia ouvir o indecifrável que a paz sugere.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre o tempo

Recorrer à simplicidade
Quando quem ensina não
Faz emergir a individualidade
Separamos a fome do pão.

Onde se encontra o amor?
Transpirado na ânsia do pudor
E por conta do medo
Entramos e não saímos da trincheira.

Entender o que entendem
O gosto pela arte se considera
No ranking de valores
A violência segue e o egoísmo lidera.

Definiram como tudo vai ser?
O mundo gira; nossa vitória não verei
Mas minha prole viverá para ver
Um futuro que não vejo e não sei.

sábado, 22 de setembro de 2012

Fissuras

Onde está a realidade
senão no entrave mais obscuro?
Onde o nada virou tudo,
onde inexistem muros,
onde o tempo pôs rodas no futuro.
No infinito o silêncio declama vida.
A realidade como uma verdade.
A mentira conclama a maldade.
Questionamentos... O que é realidade?
Triste condição de imenso vazio?
Mas e a felicidade da mãe que pariu?
Seria a verdade então o meio-fio?
Aquilo que projeto mesclado ao recinto
embora ninguém diga, eu minto
e aquilo que vejo
acaba por ser o que sinto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eu, querer?

Para onde caminha o saber
quando ainda não sabemos entender
Conhecimento confiável?
Sou um ser adaptável
guiado pelo destino céu
No julgamento da vida
apenas mais um réu

Ideias e histórias, viagens e memórias
para os valores deles somos a escória
Invejados em patamares abaixo
Inusitados, amor e razão eu encaixo
numa boa poesia de se contar
os sentimentos que me tiram o ar

Saber e querer caminhando juntos
querer saber o que quero
saber querer o que sei
O pensamento como a riqueza de um rei
de tudo o que aprendi
o que será que sei?


sábado, 15 de setembro de 2012

de amores e flores

Certa vez conheci uma moça
Vivaz, inteligente e forte
Não poderia ser mais
Ainda sem falar de
Seu perfume, fôra uma
Das mais belas flores
Que pude colher

Os olhos - Ah! Os olhos...
De um castanho deslumbrante
E um verde que colore
Até o fosco da realidade

Talvez, pressinto, seja inverno
E essa dona flor está
Ainda bela de pétalas caídas...
Acorda bela dona! A primavera
Vêm trazida por você
E não você por ela. Aprenda:
Do teu perfume brota luz
E nesse brilho jaz o infinito.
Qual o sentido de ler e saber?
Dentre todas as iniciativas
Se eles precisam
A felicidade própria vender.

A representação do capital egoísta
educação defasada, gangrenada
nossos corpos jogados aos corvos
enquanto a sociedade dança na pista.

Respeito despotista, hipócrita e
Nojento, para quê tanto fingimento?
Dificuldade de rezar, nessa viagem
O diabo pede piedade
E a morte pede passagem.

sábado, 8 de setembro de 2012

recorte

Pois é, cada dia que passa, a grande maioria que não sai do cotidiano, acaba se tornando responsável pela nossa aparente amnésia do que a vida, em poucos, porém válidos momentos já foi capaz de nos apresentar. Não deixar a melancolia se tornar um sentimento crônico esta mais para aqueles que preferem não ter pena de si mesmos.
Não é um teste de força, deixou de ser. Atacar não é nada Em tempos de resistir ao invisível.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

soluço

Acho que te decorei,
entendi como se entende a alegria.
Pois bem, sobre o nada algo sei
e como em poesia se faz
o humilde virar rei,
no meu pensamento
a saudade se desfaz
feito estações mansas da paz.


sonos malacabados

É enorme a capacidade que tem o ser,
sem saber, sabendo o que falar,
não falando o que queria falar.

Coisas que levamos por teimosia,
ensinando muito de saber,
caretando, fumando, bebendo ou rezando,
novidade aqui, deixa tudo branco.

E para todo o pessoal que diz adeus,
não conseguem deixar de ver
a pontinha de medo que gela
e encobre as paredes que concretam o ser.

Excessividades, não são excepcionalmente
de todas evitáveis, alias,
não sei como ainda não fui,
quando muitos dizem fomos.

Sair daqui um minuto,
ir lá para dentro, aprender
o poder das palavras,
dúvidas e epifanias mescladas
em um sentimento que não se pode ver.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pressa

Vou começar a por culpa nos ponteiros
culpa deles de rodarem sem saber;
para onde vai a cinza nos cinzeiros?
Tudo passou tão rápido e
culpa minha de ir, não ver
realidade em um amor pálido.

Mas a palidez, banhada no crepúsculo
caminha sobre minha razão fazendo a vontade 
se perder. Ai de mim, saber:
será que sou o que quero?
esperarei amanhã o que hoje espero?
Instigar quando existem dúvidas do próprio ser
Queria ao menos saber, o que quero?

sábado, 1 de setembro de 2012

Me divido em razão e sentimento
Carlos e Charles ecoam na bolsa
respectivamente. Que horas são?
Hora do deleite, folhear
as páginas do amor e do desespero
nessa vida as pessoas são
o meu calor e o meu tempero.

E a felicidade manifesta
como uma flor
que no outono desabrocha
ao pensar em todas as belezas
passadas pelo tempo,
não, ela não envelhece
ela não perece, simplesmente se merece.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Aos leitores

Não consigo deixar de notar
naquele outro que lê
certa repulsa do resto
que se vê.

Tranquila a companhia das
                            [páginas.

Cada palavra transmutada
em chaves para o infinito
marcando a responsabilidade
daquele que com a realidade
se sente aflito.

Vou indo.

Até encontrar
o caminho pelo qual vou,
cuidarei do que não se cuidou
entre o céu e o mar
procurando respostas nuas,
despidas pela realidade
imposta nas ruas.

Boa noite metrópole
o sol nasce
e você se encontra coberta
pela fumaça de sua prole
pela realidade,
onde se encontra sua morte.

A arte designada para parecer
esbanja o retrato que todos
querem ser. Falando bobagens,
o vento leva tudo
assim como nossa alma, supostamente
reverbera luzes da paisagem.

domingo, 26 de agosto de 2012

poesias cegas.

É estranho pensar
em não querer acordar,
afinal todo dia é dia
e como sempre
te forçam ouvir: não adianta viver
em agonia. Dias como tal
treinam sua cegueira,
em noites frias,
por apenas
abrir e fechar a geladeira.

Não saber o que sentir
já não parece um bom plano de ação.

O segredo da vida
refletido no corpo de quem vive
assim, comigo só
o amor não é uma briga
apenas reflexo do que já tive.

    

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Não existe

O belo,
o inteligente,
o esbelto.
Nada existe,
a que será
que se destina
Ser?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

de coração.

Confusão lógica por todos
os lados, me deem os números...
A culpa mais avulsa que nunca
totalmente dispersa, em meio a uniformes
vejo apenas personalidades disformes.

Tanto dinheiro
e tão pouco valor.
Tanta gente
e tão pouco amor.

Não me questionem
por que? Perguntem
e se?

Vivamos a realidade
inoculada em nosso olhos
que sangra lágrimas de verdade.


sábado, 18 de agosto de 2012

Mandaram avisar

Esperança que me faz saber
o que é vão, ou não.
Vou confuso, confundindo o ser
quando a ascenção do respeito
se tornou falta de consideração.

A realidade está estampada
na carne, na fala, na fachada.
Mas o resto, escancara a mente
plantemos a semente,
o livre pensamento pode te ajudar.

Poderia o sentimento deste momento
inundar-me com a realização?
Saber para onde foi o amar...
E se nada der certo,
foda-se tudo então
meu caminho é o mar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Hoje estou meio disperso
meio perdido, meio ao meio.
Nem radical e nem bohemio
(quem me dera ser bohemio)
sintomas de amor por perto.

Paciência é uma virtude
a vida que bagunça
enquanto vejo ir a juventude
enquanto a responsabilidade
se torna avulsa.

Celas projetadas pelo pensamento
o sol se põe por detrás da janela
azul e duvidosa, onde o som
leve, livre e solto está permitido.

Paz e liberdade canta o bem-te-vi
o amor hoje em dia, vêm pulando,
faltando uma perna,
parece fantasia, parece até saci.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Instintos distintos

Estão todos ocupados indo,
ninguém sabe onde ninguém vai.
Em algum lugar uma criança rindo
e em outro, a chorar pelo pai.

"Everything is love" dizem os cartazes
na noite de lua cheia
nos bancos de praça mal iluminados,
trocam amores moças e rapazes.

Feito acordes dum violão
nos encaixamos em campos harmônicos
e os enamorados ainda não se preocupam
com o destino que não está em sua mão.

E lá no asilo de corações
encontram-se alguns jubilados do amor
repletos de esperanças,
a qual nunca sentirão o sabor.

sábado, 4 de agosto de 2012

De duas cabeças na lua

Na noite de brilho de canto,
aqui, acá e acolá, espelho é o mar
Lua linda, linda lua, brilha seu valor
a fim de se mostrar, pois é
feito menina mimada pede em silêncio
pelo nosso amor.


Grande e formosa assim
ai dentro de ti há de haver
graça, paz, alegria e até simplicidade.
Esse bocado de coisas boas
deve ir se juntando a cada fase,
até ficar assim: cheia dos melhores recheios.
Claro que o sol também é parte disso!
Mas tu têm a singularidade que é só sua.
Eu adoro você linda,
lua.

Inspirado por Ana Luiza.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

poesia de inação

Está tudo inundado, veiculado.
Estou de touca, me vejo no espelho
vivo nada com sombra
os chinelos parecem mais gelados que o chão,
esse que parece um imã
sem tom ou diapasão que concerte
no coração, encosto minha mão
num entendimento resistente
que suavemente, me da somente
o sentimento e pronto.

O ar respirado que quase se vê
de tão frio que se sente
faz a inação parecer coisa nossa
o presente transformando nossa mente,
voltaria para lá, sem saber
como foi que fui não indo
e saber somente
quem continuou vindo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

   Ter condições de saber quem eu sou. Quem eu sou? De testemunha a suspeito, o caminho não é bem o que nôs contaram, nem Freud explica! Fé e religião se distinguem, deixei de ser o que querem pra passar a ser quem não sei que sou. De todas as escolhas, qualquer resultado esperado se dissipou e mesmo assim, atento ao mundo, igual é igual e assim não rola se ficar.

   Hoje eu sei; não me abandone, pois não vou sequer chorar. Vide amor, o único vão está presente no futuro, afinal, você está esperando o quê mesmo? Vamos de barco, estenda as velas e deixe que o acaso nos leve e o sol aqueça nossas almas. A maré ainda é navegável e a vida ainda pode ser sustentável, permitir-se viver de forma plena, fazer piscar uma luz de vaga-lume em meio a escuridão.

   Não escolher o lugar de onde vêm, não tem relação com o fato de cada um saber o papel que têm. Querer muito dentro dessa bolha de poluição só me faz ficar mais preso. Não gosto de me dar por vencido, pensei já em ser herói e descobri que heroico, é o sorriso triste de uma mãe batalhadora.

   Problemas são intrínsecos a nós, e, por mais que façam seu peito estalar, aqui estamos e daqui, apenas saem os que quiserem(mais delicados). Diga quem estiver de passagem, o futuro incerto é, feito um turbilhão, infinitamente mais interessante que um mero fim de filme hollywoodiano.

 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sinto que existe algo
bem aqui dentro
sem saber falar
só aprendeu a observar,
ouvir e se calar.

Falta amor. Meu,
quero saber o que é
sou um recipiente
cheio de questões
erradamente, raramente e
essencialmente
desacumuladas.

Construir do ir e vir
são formatos de capacidade
as vezes dizem ser vontade
como se fossem substâncias
invisíveis e injetáveis.

sábado, 23 de junho de 2012

Não é raiva não,
só não me apetece ouvir
reclamação de gente que tem barrigão.

Não da pra dizer não,
que eu sei como é o teu pão,
porque saber ta mais pra lá
do que acá, tão longe que
parece segunda pra final de semana.

Não da pra entender não,
como é que as coisas são.
Porque tudo o que eu entendo
não passa de fumaça de avião,

só uma coisa eu sei que sim
assim como gosto de cheiro de alecrim
a vida vai estar sempre aberta
se quisermos, para você e para mim.

sábado, 2 de junho de 2012

15 primeiros segundos

Ele e ela, ela e ele
ele pode e ela não considera,
alguma dúvida?
Vice e verso,
o que eles querem não se desenha,
só cheira e não vê.
O que dela é grande
a ele pertence
e o que dele é errado
com ela tudo se vence.

domingo, 27 de maio de 2012

não sense.

   É estranho pensar; pensar no fato de que você não sabe o que é pensar, bem aquilo que te traz razão, não tem razão alguma. Onde está a arma? Temos balas por todas as paredes, tiroteios de ideias, você coloca seu colete e se protege de cada pessoa que morre. É rotina, o chão está cheio de corpos e você continua grudado no seu sofá.

   Tantas aparências, música no ar... Aqui não existem mais pássaros, alias, sobraram alguns, mas esses cospem canções de achar, devoram seu ar, a beleza que está escondida faz seu coração pensante pulsar. Existe desespero, falta até tempero, e no porão da suas sórdidas imagens, análises psicológicas mostram a doçura de um leão.

   Chega a doer, as paredes se fecham, vou pular pela janela. Fobia de respirar, velejando em alto mar, essa dúvida de achar que te mata e apaga qualquer chance de um ser Supremo. Eles riem, colocam as caixas sobre a mesa e pegam suas facas, acho que é tudo legal, sua mente já está perturbada, há quanto tempo? Há de se pensar... E mais uma vez, tenho dúvidas do que achar.

sábado, 19 de maio de 2012

faço questão,

   Tomar um banho quente, ressuscitar a intervenção pessoal, interior. Pessoas gritam, falam, gargalham... A noite está fria hoje e ainda há filmes na TV. O volume diz coisas de um modo peculiar, torna engraçada essa coisa de pensar o que falar, se comunicar despertando apenas o olhar. Pratos de porcelana por todos os lados, essa estranha sensação humana, não poder fazer nenhum movimento em falso, quando infelizmente, não há para onde ir sem quebrar alguns deles.

   Repercussões pertinentes, dignas de um palhaço, o que é a realidade? Se não uma imensa comédia, onde sua face é o picadeiro e seu nariz o mastro que sustenta a lona. A limitação é tão grande, que torna-se obrigação se focar em algo que lhe faça esquecer tudo. Em alguém você deve acreditar... Crescer, sair e cuidado pra não se matar!

   É cedo pra quê? Pra mais uma vez, como sempre, estar em dúvida? Capitão, traficante, delegado ou marginal... É falsa a ideia de identidade, suas palavras provam isso e você achou que poderia aguentar. E de repente, alguém que se mostra verdadeiramente humana, lhe faz pensar a perversidade que pode existir, nessa ideia de ser e exibir.

sábado, 5 de maio de 2012

Agora já não é normal.

   Saber a data de nascimento já nem importa mais, crescimento feito árvore, não importão os anos, mas as raízes que finquei no decorrer deles. Bog afaste essa mecânica sem lógica, laranja sem suco, deixe em paz meu coração, que devido a tropeços errantes, me chamam de bundão. Não sei se é desatenção, caminho pelas ruas me sentindo na obrigação, ser quem foi deixado, esquecer a vida de largado, enlouquecer e, como é de costume, rever o meu próprio entender.

   Me vêm um samba baixinho, pintado de orgulho com uma taça de vinho, quero ver o que você faz, que acredite sem mais, de tantas almas, junto a sua, algo me remete a paz. Não que o passado tenha deixado de existir, é interessante ouvir, mesmo sem falar, o quanto tudo muda sem nem ao menos avisar.

   Suposições do que pode ser, navegar em águas desconhecidas, no fim, mais vale deixar acontecer. Cheirinho de alecrim, cá estou enfim, mas agora empenhado para que exista um 'eu e você' sem pensar no fim. Me diz pra onde ainda posso ir, se no estreitamento da vida de 'gente grande', tudo o que sobra não nos deixa rir; não, acho que estou num caminho sem ir, sem ideia de como dele partir ou como dele sair.

   Sigo cantando, sou viajante, em meio a tantos 'Eus' me vejo apenas como pensante. E o que dizem não ser possível, sem equilíbrio ou pestanejante, meu caro amigo eu não pretendo provocar, mas algumas coisas eu vou mudar, inclusive o fato de você me dizer o que vou ser ou até o que devo fumar.

domingo, 8 de abril de 2012

Introspecsônia

   Não me dou mais ao luxo de 'ser': adulto, criança, responsável, forte, fraco... Definições não servem mais, caiu a ficha, é verdade, hoje me vejo de cara limpa. E aquela vontade de voltar correndo atrás, que vêm e volta, tem vezes que parece a melhor opinião, outras, viagem desse meu cabeção.

   Hoje eu matei o presidente e o que era panela de pressão, virou calmaria, é quase coisa de feitiçaria. Adversidades não faltam na minha estrada, bom é saber que sigo o certo até na linha mais errada; de repente o pensamento parece mais lógico e, hoje mais calmo, meu melhor amigo se tornou o relógio. 

   As definições foram tantas, idéias acarretadas em fortes discussões; escutam o que você quer dizer e, mesmo sem querer, me vejo de novo sozinho tentando entender quem eu tento ser. A infância não se foi, basta colocar os óculos escuros, calçar os sapatos e pular cada um dos muros; não tenho mais pressa, minha vida é essa e, hoje, para amar, não a mais nada que me impeça.

Quem é você é quem?

   Na procura de alguém que me tire da minha própria mente, que diga que não sou gente, que preciso ser mais competente; entender que ser você, é ser todos ao seu redor, todos na sua vida, todos que você amou, ou qualquer um em que no mínimo, antes de dormir, você pensou. 

   Exercer nossa liberdade de crer, ao mesmo tempo, nossa prisão é o ser. Eu juro, para aqueles que foram embora, me dê isqueiro, porque esses eu esqueço com uma tora; não tenho nenhum truque, nem sequer sou duque, só a sorte de estar no lugar certo quando a paz está por perto. Eu abro os olhos e, agora o que eu quero ver, que todos possam acreditar no que podem ser.

   Eu morava numa cela, barras de aço e coração sempre aos pedaços. Dizem que crianças não sabem o que é amar, coitados... Não dormem a noite, pedem por paz, mais parecem soldados. Quero toda noite um sonho sob a luz do luar, sem essa baboseira de se encontrar, a gente sabe o quão maior é essa coisa do amar. 

   Digo ter três pés, com dois eu sigo e o terceiro fica bem atrás, não pra dizer que não consigo, é só pra alertar certas situações de perigo. Não, não é medo, é apenas a ideia de alguém que acordou cedo...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Na na na naia!

   Ela é paz pra palestina, fogo na babilônia. Igualdade, respeito e liberdade; entre os animais, somos os mais livres e ao mesmo tempo os mais presos, desse amor que liberta, as vezes solidão é o que nos resta. Solidão construtiva, ócio destrutivo, um incenso aceso, e os do dedo amarelo a gente vê sendo preso.

   Mas é isso, rever a responsa todo dia, acordar fazendo uma prece e lembra que quem é vivo sempre aparece. Em ocasiões assim, vários assuntos aparecem, você e seus irmãos, não precisa de mais nada, a gente já se reconhece; pensar no que se perdeu, pensar por pensar, são só lembranças do que poderia ter sido o meu 'eu'. Ninguém explica, de onde vêm, aonde fica...

   A gente fica sem saber o que falar, talvez, sabendo apenas como se portar. Pensar se compensa, e novamente a gente pensa, eu nunca saberei! Só sei que nada sei, razão ou emoção? Tá tudo junto no mesmo coração, querendo transformar esse mundo em uma só nação. Me vejo afundando, em cima toda a massificação, em baixo meus dois pés, sem qualquer chão; sem hora e sem estresse, as vezes explodiria o mundo, e ai, é só lembrar de tudo que acontece.

domingo, 1 de abril de 2012

consciência.

   Muitas pessoas, inclusive eu, enchem a boca para falar sobre consciência; agir de forma consciente - e isso incluí o ato de votar - é, se não uma obrigação, o puro ato de agir "corretamente". Mas e se, depois que você passa a não mais crer em certo ou errado, nos retermos a pensar nessa consciência, no votar com sabedoria e razão, mais me convenço de que não existe consciência alguma, apenas uma desgastada confiança e, atrevo-me a dizer, um pouco de fé.

   Eu não sou dono da verdade, menos ainda da consciência, essa que só conheço o conjunto de letras, e tenho motivos para declinar-me a acreditar que uma vigésima parte dela esteja ligada a razão. Afinal, é do feitio humano desejar para si aquilo que vai contra a razão, conscientemente. E para você, que agora ri, dizendo não pertencer a esse suspeito grupo de homens/mulheres que agem contra si próprios, só peço para que pense na última vez em que chorou por 'amor'.

   Porém, nada me irrita mais do que a expectativa de consciência, aquela onde não se precisa pensar, apenas se faz por conta de uma obrigatoriedade banal, daquelas que são tantas vezes intimadas a você, que algumas pessoas chegam ao ponto máximo de 'adaptação e sorriem, com a certeza de que são felizes estando em baixo sendo diretamente obrigadas a escolher quem vai em cima.

   Eu considero a alienação um furto, um furto do que poderia ter sido, um furto da liberdade, mas como todo furto, para se ter consciência dele, primeiro precisamos descobrir que estamos sendo 'roubados'...

   Portanto, sorriam! Vocês estão sendo furtados.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

o diabo veste detalhes.

   É estranho não ter mais aquela velha "inspiração", ultimamente a vida mais parece com o refrão daquela boa velha da Cássia Eller: "Socorro! Não estou sentindo nada!". Mas, quando você lembra não estar mesmo, vêm aquela enorme e célebre, que mais parece um carro alegórico de carnaval atravessando uma de suas orelhas e saindo pela outra, filho da culpa...

   A internet já não parece aquela magia de antes, não é mais tão fácil conversar, talvez pela necessidade quase  irreal de se ter o contato com os cinco sentidos. Risos e palmas, tudo mentira barata, quando se sabe a dificuldade que existe em manter conversas hiper conectadas numa tela que a noite, mais parecem queimar as suas retinas. E depois de um monte de filmes, enfurnado dentro de casa, você acaba acreditando, por mais descrente que seja, em finais felizes, e graças a eles, por algum motivo que ainda não consigo identificar, vou procurar algo parecido em conversas de facebook, que sempre terminam com o notebook aberto e meus olhos fechados.

   Reclamam que você não é flexível, que sempre quer ter a razão e não notam, que no mesmo momento que dizem isso, está concordando com eles. Não quero ter razão, exemplos já me mostram que razão é só mais um adjetivo para as nossas atitudes, pra tudo, alguém ganha e alguém perde - e a isso me refiro não só a seres "pensantes". E a verdade, que ultimamente não vale nem o que defecamos, coitada... Colocaram ela numa dessas valas, daquelas antigas que se usavam em sítios para satisfazer o chamado da natureza, e cobriram com todas as suas palavras digeridas, idéias dissolvidas.

   Tô tentando ser otimista, acredite. A física quântica diz que nós nem sequer nos tocamos, então, a internet é o futuro, o problema mesmo, deve ser esse imediatismo em querer ser feliz, afinal, a vida são os grandes momentos, e o diabo está nos detalhes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

me disseram;

   Essas noites de verão insuportavelmente quentes, sem nuvens que te tragam lembranças - lembranças que correm o risco de sequer existirem - e co-responsáveis por trazerem pessoas a porta de sua residência. Calorosas são as saudações entre você e eles, no fundo, isso tudo pouco importa, a realidade é que estão ali atrás de outra coisa, outros valores. Culpa dessa necessidade - falsa - mútua dos demais por uma satisfação regada a relações humanas e prazeres instântaneos, toda essa merda que você escuta em toda a sua vida como: "Não somos ninguém sem alguém!". Bom, eu discordo, para isso deixo a palavra com os ermitões que a Record não se cansa de mostrar.

   Procurar erros já se torna uma especialidade, e claro, essa sociedade, essa organização, o que temos de fazer, como temos de nos vender, o que vestir, para onde ir. E dizem para mim, "queria ser 'foda-se' assim como você.", mas será que ligar o foda-se, não seria uma injeção de verdade? Verdade intangível, a qual ninguém realmente quer saber, camuflada propositalmente pelos contos de fada modernos, onde sempre alguém especial apenas o é, se possuir uma alma gêmea que lhe camufle todas as imperfeições e esbanje todas as suas virtudes.

   Especial? Tô mais pra especialista, especialista em tentar não me apegar, tentar não sofrer, tentar não pensar, tentar fazer o 'certo'. Em suma, especialista em tentar. Poderia vir até em casa, uma dessas babás encantadas, com poderes mágicos e o dom de trazer felicidade! Oh, merda! Voltamos a felicidade proporcionada por relações humanas unicamente mágicas e especiais; vê? Qual a sua verdade?