
De mãos dadas, caminham com frio sem qualquer proteção, só um sol amigo que aos poucos, se põe e ilumina o fim de cada passo. O odor de seus cabelos, alisa com os dedos, se apaixona cada vez que repara em cada traço bem feito, a cada curva do nariz ao peito.
Reparam um casal de idosos sentados no ônibus, feliz conversando cobertos por um lençol transparente, amor infinito. Ninguém diz nada, a mente da moça é uma incógnita, a dele uma viagem atemporal no tempo espaço, parece até distante, mal sabe ela o quão perto ele está, o quão cativado, o quão enrolado.
Sorrisos trocados, um medo anormal e agonizante lhe toma conta, é muito cedo, mas pra que ter medo de coisas tão superficiais. Caso perca, levante e sorria, mas caso ganhe, derrota alguma vai se comparar a tal prêmio que receberia, não é apenas mais uma consolação, não é só mais um amor de verão.
Com as mãos na nuca, acariciando e alisando cada maço de cabelos que cada qual com um aroma similar oposto a qualquer um que ja tenha sentido, será o significado de tudo isso resumido num odor? toda a felicidade de ser estar, de feliz apenas por juntos estarem, não ligar por não tocar ou não beijar, sendo importante apenas a evidência dos seus sentimentos mostrar, será tudo isso aquele horror, aquilo que sempre abominou, será tudo isso além da dor, será tudo isso aquela coisa que chamam de amor?
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