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terça-feira, 28 de setembro de 2010

mil e uma razões,

   As gotas de forma continua caem sobre seus olhos, vindas de tubulações desconhecidas, iluminam a sua mente, caminhando na reta de pensamento desfalca hipóteses de quem ou o quê pensar, só na vontade de correr em direção ao mar. Luzes artificiais me cegam, da mesma forma que maquiagens apagam mulheres, luzes apagam estrelas.

   Canta, sente a brisa e se deixa levar, no embalo olha pra cima e se inspira com o luar, momentos a só que são apreciados de forma que ninguém entenderia, pensamento ficou no trabalho, o esquema é tocar, tocar a arpa que habita o fundo do consciente, e de forma genérica emite seriedade, força no olhar para qualquer mal espantar.

    Deixa de tristeza, deixa os deuses terem inveja de nós, da nossa felicidade a nossa decepção sem nunca sabermos quem somos, deixa eles no mundo perfeito de respostas, são nossas mil e uma razões pra estar de alma lavada, e deixar os sentimentos fluírem deixando a roupa amassada, sabendo que tudo vai sempre acontecer de forma inesperada.

   Amor, amor, amor... Meio acabada, sua cabeça anda desesperada, não consegue nunca deixar de magoar, mesmo que sejam apenas sentimentos soltos no ar. A vida continua, e vou vivendo do fim pro começo, se quiser compania é só passar o endereço, deixando formada a idéia pra quando chegar, que essa nossa vida não tem preço.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

amoramarsofrer.

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou



William Shakespeare

sábado, 18 de setembro de 2010

choices.


   Tudo que se imagina, quando criança, é encontrar alguém como nos filmes, onde no fim tudo da certo para os atores e atrizes principais. E a gente esquece que mesmo com finais felizes, alguém vai estar infeliz, em meio a toda essa neve, os coadjuvantes é que realmente vivem a história, a parte real, enquanto que a imaginária cabe aqueles que se contentam com o fim absolutamente igual.

   E claro, os heróis, sempre conseguindo o que querem a partir de ajudas sempre inconvenientes, seja divina ou humana, não passam de filhos de papai que se acostumaram a ter tudo, é ai que talvez se traduza a esperança, sempre conseguem o que querem mesmo quando rebaixados em algum momento do filme.

   Cada história tem seus heróis, todos conjuntos nessa mesma história, somos todos coadjuvantes de algo maior, somos os que perdem e caem, somos os que matam e morrem, pessoas que não conseguem com a razão e a pressão, não conciliam amor e ódio numa coisa só, somos todos as simples pessoas que o homem-aranha entre outros heróis salvam para garantir seu ego já formado.

   Mas cada qual aqui, neste terreno, é uma história, que vistas de um certo ponto escolhemos entre ser o garçom que serve a burguesia, ou o trabalhador que luta contra toda a hipocrisia; escolhemos entre a esperança e o fracasso, somos nós que desejamos ser o coadjuvante, ou o herói de nós mesmos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

~

   Por que não facilitar tudo, de forma que sentado num banco de praça, perfumada e delicada ela se sente ofegante procurando repouso, e subitamente num encontro de olhares algo mais aconteça, algo que jamais lhe aconteceria. As calçadas molhadas, um andar relutante, cada passo se torna uma vitória, cada qual com um gosto amargo que não valha mais a pena se não houver com quem compartilhar.

   Não lhe sobra mais nada, a não ser escrever e sentar no telhado contemplando a beleza que não vem mais, esperando um vôo que nunca vai chegar, uma embarcação num porto de névoas. Sorrisos parecem sem dentes, a lua sem brilho, e a vida sem destino.

   Na presença tudo se torna doloroso, porém na ausência se torna insuportável; minha amiga lua já não se comunica mais, meu nascer de sol já não nasce mais rosado, já não me faz mais sorrir, talvez tudo isso fossem apenas realço de algo que realmente importava, com a qual na ausência, nada mais me importa. Melancolicamente, a vitória não é mais tão doce, e nada mais é tão feliz sem você.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

   Pobre coitado abandonado, que de bobeiras lágrimas derramou, por que um dia em toda essa farsa de amor acreditou.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

promessa,

   É fácil prometer em momentos de raiva ou perturbação, problemas surgem e a situação pode se complicar, encurtando o que era pra ser eterno. Num devaneio, tudo pode ir para o fundo de seu subconsciente, a chave está escondida onde nem mesmo você pode, ou não quer encontrar.

   Tudo se baseia em parar, a chuva cai sobe seus fios longos e com falta de corte, a dor de cabeça se eleva a um nível não mais suportável, como pode sentir a chuva se está em casa, não saber mais como chorar, não saber mais o que são lágrimas beirando a loucura do subconsciente que revida após tanto tempo aprisionado e pressionado, a frieza é tanta que pode sentir a lágrimas congelarem em seus olhos.

   É impossível, mas está acontecendo, surrealidade na forma de pensar, caolho, sem teto e pensante. Puxado pra escravo da alma, da consciência que por acaso não lhe serve pra nada agora, apenas aumentar as perturbações que enfatizam o momento de sofrimento, sentado, calado e congelado. Por que não terminar tudo agora? Expressões que não valem ser reveladas aqui, se nem seu principal parente acredita ou valoriza você, qual o sentido de tudo isso..?

   Finge desabafar, finge se preocupar, mas no fundo só pensa em sofrer, sádico, parece até gostar de momentos como este, logo precisara de algo mais potente, que tal sofrer e enfim, tentando perdoar quem deveria, mesmo não conseguindo, francamente, fracos preferem esquecer, e é o que vou fazer.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

no title.

   De mãos dadas, caminham com frio sem qualquer proteção, só um sol amigo que aos poucos, se põe e ilumina o fim de cada passo. O odor de seus cabelos, alisa com os dedos, se apaixona cada vez que repara em cada traço bem feito, a cada curva do nariz ao peito.

   Reparam um casal de idosos sentados no ônibus, feliz conversando cobertos por um lençol transparente, amor infinito. Ninguém diz nada, a mente da moça é uma incógnita, a dele uma viagem atemporal no tempo espaço, parece até distante, mal sabe ela o quão perto ele está, o quão cativado, o quão enrolado.

   Sorrisos trocados, um medo anormal e agonizante lhe toma conta, é muito cedo, mas pra que ter medo de coisas tão superficiais. Caso perca, levante e sorria, mas caso ganhe, derrota alguma vai se comparar a tal prêmio que receberia, não é apenas mais uma consolação, não é só mais um amor de verão.

   Com as mãos na nuca, acariciando e alisando cada maço de cabelos que cada qual com um aroma similar oposto a qualquer um que ja tenha sentido, será o significado de tudo isso resumido num odor? toda a felicidade de ser estar, de feliz apenas por juntos estarem, não ligar por não tocar ou não beijar, sendo importante apenas a evidência dos seus sentimentos mostrar, será tudo isso aquele horror, aquilo que sempre abominou, será tudo isso além da dor, será tudo isso aquela coisa que chamam de amor?

  

sábado, 4 de setembro de 2010

teatralidade.

   Estava aqui durante a quente madrugada, sem sol ou chuva, apenas uma beleza empoeirada que por sorte, não nos tira o milagre do luar amigo, capricho cuidadoso e artesanal. Tão sólido que não foi preciso rascunho ou ensaio, mais sincero impossível, mais belo, inexistente.

   Ouvindo a musicalidade por de trás da TV o som dos grilos assobiarem, soltos ali, sem mais o que fazer a não ser cantar, talvez a espera de uma amada ou apenas para servir de presa devorada. Nem mesmo os cães latem, vez ou outra os passos do felino ecoam pelo telhado em batidas lentoas e terrivelmente profundas.

   Estava aqui ensaiando um sorriso para mostrar aos outros pela manhã, estava aqui bocejando e pensando em nada pra variar, estava aqui cuspindo na calma e espancando a idéia de nada a fazer apenas no simples ato de pensar em tornar a acontecer. Estava aqui notando toda essa beleza, pra mim mais parece teatralidade, coisa qualquer ai, pra mim além de uma simples banalidade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ser por ser..

   Por alguns instantes é inevitável que deixe de querer ser o que pensa que é ou tenta poder ser, não, não da pra se soltar dessas cordas apertadas, ser apenas mais um fantoche de toda essa barbaridade, de tanta babaquice e falsidade. Será que se um dia se soltar, com tuas próprias pernas vai conseguir andar?

   Caso não lhe pertença toda essa idéia, não lhe satisfará nenhum interesse estar aqui. Esse lado afetivo de todos, descontrola qualquer mente, por mais controlada e racional que seja é impossível se segurar, pior ainda quando se encontra sentado a cadeira de um bar tomando uma cerveja e esperando apenas o sol raiar, coisa linda esse dom de poder fazer o que os outros só podem observar.

   Humildade é liberdade, no mínimo a base dentro de toda essa realidade. Ser você sem rebaixar a si e no  mesmo tempo aos que lhe tomam à volta, nos tempos de hoje fica tão difícil quanto ver um ladrão condenado a prisão. Prefiro ser alguém que chora por amar, a ser alguém que se cala para uma futura frustração evitar.