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domingo, 3 de março de 2013

Perspectivas

Deitado.
Estendido sobre o próprio limite
Entre o sonho e o poder,
fazer.

Sinto os raios solares imbricarem-me
Pensamentos que questionam pensamentos
Num eterno girar de roleta
Submetido as inconstâncias do porvir.

A monotonia
que mais parece um alvitre,
Talhado no sepulcro futuro
de cada um de nós,
Ao leve bater da brisa
É levada.
Caso se queira coexistir
Com a inexistência
de um último fundamento.
Onde dos pensamentos
Não se sabe quando ou onde
Hei de surgirem.
Carregados,
Trazidos pelos sentidos à guiarem
As carruagens dos anjos da veleidade.

De um saber que não basta
À inconcisão de existir.
Estamos permitidos apenas
Crer no que se quer ver.

Não escrevo a poesia que gostaria
Apenas a que me convém
Sobre um eu
Que outrora
Será outrem.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sou vaga-lume

Essa efemeridade da vida que corre
Muda sem você querer e passa
sem você saber.

Tanta vida em tantas cores
Ainda espero germinar
Pra poder ver a beleza inata
De todas as flores,
De cada pássaro que canta
Sem precisar de terra santa
Bebendo da esperança insensata

Chega de banalidades!
Tão vãs, cercadas por fãs.

Quero mais é ficar deitado
Sob as cobertas de uma noite
salpicada em estrelas
Com luzes que disfarçam o papo
dos vaga-lumes coreografados
Vagando e piscando
Num escuro que teima em mostrar
o que não se pode ver.
Pisca! Apaga... Pisca! Apaga...

Além de um flash de vida
O quê mais venho à ser?

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Eus múltiplos.

Ao fundo
Ouvem-se gritos
Eles dizem : - Esqueçam!
Como se a lembrança
premeditada fosse.
Os alaridos da memória
intensos de si
Convergem à um futuro
condensado
Um vapor espesso
Contado e recontado
Num colorido de novidades antigas

Quisera eu ser erudito das artes
de viver e esquecer
Mas nos arames enfarpados da
memória
Rastejo-me no chão de terra batida
e inquietudes remoídas
Numa condição que concilia
Criação e insatisfação.

Posso ouvir os poetas mortos
Implorando para que perdure
Essa irrealidade aguda do sentimento
humano.

E depois que, com o sono eterno,
Vier nos abraçar a morte
O escuro da noite
Quase presente de si
Vai sussurrar em meu ouvido
- Feche os olhos,
o segreda da vida,
é essa eterna inconcisão
ansiando ser mudança.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Boca de Lobo

Hoje o céu amanheceu cinza
O nada infinito salpica
gotas cansadas que
Procuram refúgio em bocas de lobo
Dividindo o espaço
Com bitucas de cigarro
Carregadas pelo silêncio melancólico
Das marcas vermelhas de batom
De moças seguindo inconstâncias.
Não olham para o céu;
Não olham para o chão;
e, principalmente,
não olham para você.

A praça segue viúva de afeto
Fazendo por si, programas com mendigos
Servindo cama e abrigo.
Em dias como esse
Quando a medida do tempo
Se estende por sonhos e ilusões
Levados por correntes d'água
Direto ao esgoto das lamentações
onde jazem os dogmas da razão
Enegrecidos e esquecidos
Por excessos de nada à fazer
Definhando,
Em buscas incontidas de falso prazer.

Dias cinzas que à mente nada trazem
Elegem sentimentos impassíveis de descrição,
frutos maduros de realidade.
E pela chatice o pensamento não se esvai.
Nesse descontrole abordado por curiosos
em vão;
A música e o jogo;
O nada e o novo;
Na fumaça a paz descansa,
Aliviada,
Por não podermos tocá-la.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Verdade

...e a gente passa a vida toda
procurando por um sentido
- no qual possa se apoiar.

Até tornar às cinzas:
e descobrir, que a verdade
não é encontrar.
Mas eternamente procurar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Incomunicável

A alma se dilata
Em vontades incomunicáveis
Distribuindo-se,
Em contornos limitados e
frágeis.
Numa constante alternância
De dúvidas por interrogações.
Que agora se acalentam
Pelo sentir de rápidas emoções
Dissipando-se em verdadeiras
ilusões.
De ações comuns
Estampadas em controvérsias
Em contatos coloridos
de moças e rapazes.
Sentados em bancos separados,
incomunicáveis.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Segunda no parque

Vejo dois jovens contornarem
o formato dos prédios com a
ponta dos dedos.

Nuvens que procuram esconder
O calor do sol que há de arder
Refletido em águas tão densas
Quanto histórias de bodas de ouro
Talhadas em corpos envelhecidos

O quê eu quero,
É ir além.
Fugir daquilo que só me faz bem.
Bem?

Os pássaros gargalham nas árvores
dos homens que ali correm
No fundo, querem voar
E para disfarçar,
Sentam para descansar e fingir
Dentro de suas cabeças
Viagens de só ida.
Retornos sem volta.

Têm

O gordo,
o magro,
o alto,
o baixo,
o pobre,
o rico,
o feliz,
o triste,
o amante,
o solitário,
o foda-se,
o fracasso...
Mas,
Principalmente,
Têm quem tem certeza.

Fora isso,
sou todo o resto.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Monstro cotidiano


Meus monstros de baixo da cama
Com lençóis e bagunça de criança
No presente tempo que passa
Induz à súbita inconstância que me
trespassa.

Novos episódios do mesmo de sempre
Meus monstros agora ao meu peito
pertencem.

Confundem amor com nada para fazer
Ninguém realmente quer saber
O que você tem a dizer
Mas todos vão ver
O que você fez ou deixou de fazer.

Vale mais viver sem paz
Do que morrer com ela?
Identidade não vêm
do sangue.
Depende do querer ser.

Geralmente

Acho que sou um pouco 'geral'
Claro, não muito normal
Com angústias e anseios,
como ocorre em geral.
Generalizo até a ideia de ser específico.
Acabo por ser geralmente específico.

Todavia, como geralmente ocorre
Daqui um pouco vou cansar até
do jeito que escrevo.
Eu tenho um jeito de escrever?
Pronto. Já não gosto mais do que escrevi.

A semente da minha mente
anseia por germinar.
Para poder parar de imaginar
o quê geralmente ocorre,
enquanto a vida corre.

Mas,
essa específica mente agora
quer ser maior do que geralmente é
E,
Por hora,
isso serve.