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sábado, 19 de novembro de 2011

noiteando.

   Talvez seja a delicadeza da escuridão, a menina mais bonita da noite, vestida com as luzes da cidade; pra variar me acompanha nos acréscimos do segundo tempo. Cada dança que me acompanha, vêm um pensamento ou aprendizado, assim dito porque pensamento nem sempre é aprendizado, enfatizando sempre a mesma coisa: "Pra quê?". É tudo um vício, agora que você pensa em novos nomes de doenças, é tudo viagem, você sabe, mas até então é o que mais me aquece o peito.
   Dentro de um cubo amarelo, se vê o vasto lençol negro que abraça o céu. As vontades são das mais diferentes, responsabilidades espalhadas na escrivaninha em baixo de um xícara vazia; a presença dela realmente tem lhe mudado, mesmo sem muito contato visual, as coisas já foram mais pacatas e o que parece se tornar efêmero, traz vontades que o tempo nunca permitirá.
   Não, não existe casualidade; isso parece sinal de fé? Talvez devesse correr até a rua dela e clamar amores até que os vizinhos se emputecessem todos... Baboseiras são comuns, ainda assim, falta talvez coragem para ver o o crepúsculo virar noite. Ainda que não seja uma daquelas tempestades, bem em cima da sua moral, que baixa, facilita bastante novos aprendizados, mudanças; e já dizia a rapaziada: "Se nada der certo, viro puta.". E quando amanhecer, e a garoa for o que restar da garota, vejamos se a vida não valha a pena.
   

terça-feira, 4 de outubro de 2011

ponto e vírgula.

   São tantas as cobranças, probleminhas burgueses, tantas exigências, falta de amor, ausência, falsas expectativas, lições transparentes, finitude. Me fazem perder a vontade, preocupações próprias se dissipam, não parecem importar, existem coisas mais importantes.

   Agradar do rei a plebe, falta de maturidade, falta de naturalidade, tudo lhe falta, tudo você muda, e novamente tudo você vê ruir. Frieza, essa amiga minha, incorporei do esporte, esse gosto pelo vento; sou areia em dia de chuva, o vento seguindo, e imóvel estou encharcado no mesmo lugar.

   Overdoses de positividade, regurgito tudo junto a palavras guardadas. Os olhos mais parecem prisões, o sentimento que antes facilmente escorria pela face, hoje se vê preso por cadeados que não o deixam sair, não é que eu já seja maduro, como não o poderia ser ainda, mas a criança que um dia correu pela relva, se escondeu, talvez, pra nunca mais voltar.

   Junto uma por uma, flores mortas para completar o buquê, subo as escadas para o norte, lá onde a temperatura esteja compatível com a minha, me sirvo da solidão. Antes de sair, presencio um pouco de "maturidade", um pouco dessa bendita verdade, me sinto feliz, não sou adulto; me deprimo e recordo, criança feliz só em comercial da coca-cola.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Todo sumido.

   Não é ódio o que eu sinto por todos eles, mas por que não somem? Toda essa banalidade de diferenças, estabelecer crenças, ficar preso a preceitos, onde a visão que se estende está no valor do que é produzido e/ou feito. Estou preso ao solo, não existe a possibilidade de voar, puxar meu dedo e vê-lo se esticar até onde jamais imaginei fazê-lo; significa viver meus sonhos e correr pra bem longe, sentar e esperar, quem vier correndo pra me buscar.

   Nessa brincadeira de ser forte, me encontro no patamar dos arrasados - mesmo não o parecendo -, as víceras da minha razão estão expostas, deixando a mostra toda contraditoriedade em que se encontram meus pensamentos, culpa desse mundão com essa coisa de sempre girar, acaba por me deixar mais desnorteado então.

   Preciso tanto aproveitar você, olhar teus olhos quando não tiver maiores perspectivas, e ouvir sua boca dizendo apenas o que me interessa, quando tudo o que me resta, são cacos do espelho deixados pela destruição que sua ausência insiste em causar. Com a cebeça desregulada, continuo caminhando, moribundo dos sentimentos e carregando uma mochila de novas experiências, para o caso de serem necessárias.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

transpiração.

   Não significa que o coração tenha deixado de bater, só não lhe são, porém, mais dadas atividades diárias antes consideradas obrigatórias. De vez em par, preciso de verdades, se tratando da situação em que mo encontro, mentiras transbordam para além da alma; alma essa, que não se tem concepção ou saber avançado, só se colocando como mais uma dessas teorias que se lê ou se escuta.
 
   A serenidade lhe fecha a janela perante situações drásticas, ou demasiado intoleráveis. O sofá, lhe serve como conforto quando o peito não mais consegue sentir calor, e o livro, de dicionário, quando palavras lhe faltam para descrever o temor; tal, que apenas se exige aparecer quando se fazem necessárias mudanças no que um dia  foi colocado como imutável.

   E esse amor, pelo silêncio, pela falta de vocábulos ditos e pelo excesso de displicência, arde como uma verdade que não contenta-se em calar, visto que factualmente, tudo o que se vê são momentos de degradação própria, em um paradoxo que se forma perante a atual conjuntura dos acontecimentos pessoais que lhe ocorrem e não contentam-se em estar a esmo diante de tantas boas opções a que recorrer, ou de preferência, falar e esperar ser escutado.

domingo, 4 de setembro de 2011

mãos dadas.

   Essa mania de definir-se em faces, classificar e taxar-se, características alheias tiradas de memórias ofuscadas pela rotina; talvez sejam suficiente para desatar qualquer nó nesse trapo velho e mal cuidado que chamamos paixão. Dizer o quanto as pessoas nos fazem mudar, talvez somente em minha concepção, é um erro tão grave quanto julgar saber quem somos por finalidade, quando talvez o que mude não seja você ou eu, mas sim a nossa influência exterior. Por natureza, sei que estou constantemente sendo influenciado externamente, e quando estabelecidos certos laços afetivos, essa influência segue uma linha invisível que me guia até o ponto final dessa mesma.

   Mais parecem janelas esses relacionamentos, enquanto você, de dentro de um quarto vazio vê infinitas possibilidades de horizonte, tendo apenas de estabelecer por quais janelas você prefere olhar. Não pelo fato de como aquela ou aquele nos completa, mas pelo que proporciona a nossa visão, novos horizontes e destinos, em suma, novas realidades a serem vistas. Algumas janelas por sua vez, estarão sempre trancadas, cabendo a nós decidir se queremos ou não abri-las e ver o que seu conteúdo nos reserva e o que pode nos acrescentar. Contudo, até mesmo o sol em certos momentos pode nos cegar, essa consciência cega, excesso de claridade, diga-se como bem quiser, e novamente caberá a nós saber julgar ser real ou não o que por natureza do ser passamos a ignorar.

   Portanto, não é pedir para que solte as mãos da pessoa que se têm presente neste momento a sua vida, mas que a aceite como livre para poder ir embora a hora que bem entender, e só então, saberá filtrar o que essa janela de novas visões poderá oferecer a você. Não passam de palavras vindas de quem sequer começou a abrir suas próprias janelas, que num começo distante atirou possibilidades a esmo, e depois que tudo sempre pareceu se fechar, as mesmas frestas de luz, essas que dou o nome de esperança, não pararam de iluminar meu chão que sempre se manteve estável, por mais que meus pés não o frequentassem como de rotina.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

passos pra trás,

   Sei que não existe apenas uma resposta, além do quê, o amor está em mim, mais vivo. Perfeição, utopia, todos esses nomes, encontro no palanque de chegada; ressentimentos que já nem doem mais, por onde andou? Enquanto crescia e não ouvia tudo aquilo que me faltava, vi tudo aquilo que precisava.

   Viver além de mim mesmo, é isso ai, como você achou que ia ser, uma vida simples é boa, caminhei e me apresentei, não como homem, talvez menino crescido, a ver sempre sua cadeira vazia; laços com o vazio substituíram a sua falta de palavra com a verdade, e diferente do vendedor de flores, teus filhos seguiram caminhos paralelos, aquele que escolhe o ceticismo e aquele que escolhe a rotina.

   Se as trilhas caminharam para com esse rumo, teu maior presente foi minha indiferença, no sentido que é meia-verdade, que toda essa "dor" um dia vai passar. Passar a ser crônica, sem muita afetividade a ela, passará por um chiclete grudado em meus pensamentos, e se tudo o que queria era gelo, ainda que me preocupando, terás simplesmente ausência de teu sucessor.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ckfu YOU!

   Exercer minha parte hipócrita de vida, sentado numa cadeira a revisar materiais didáticos, cultura, também chamada de estudos gerais, ou escola fundamental. Desde criança, colocado a ver coisas que não lhe interessam, treinado para valer, valer dinheiro, ser mão de obra, ser escravo, mesmo que não por inteiro; cá estamos, exercendo o papel que sempre nos deixarão por inteiro.

   Pois somos hipócritas, antes sem mesmo saber o significado do próprio adjetivo. "Livres! É tudo isso o que somos." elas exclamam, seguido do velho acordo de pais e filhos, estudar pra poder ganhar... Ganhar? Dinheiro, troféu verde e quadrado, imagem ilustrativa do que os autores estão falando. Seu maior sonho? Foda-se, ninguém liga, o que importa é deles e você, bom, você fica pra outro dia...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desconfie de tudo,

   Que dom, mais parecido com alucinações, tem essa seiva que escorre por todas as suas capacidades, deixam-no desequilibrado. Tão viscosa e difícil de se ver sem, e não se trata apenas de desconfiança, pobre covarde, o futuro é tão longínquo pra você, mero resquício de vida. Resquício esse, que mal serve para organizar as facetas diárias da própria existência.

   A meia-noite se diz sem sono, pobre tolo, não sabe se esta arrependido ou é apenas incompreendido. Dizem os extintos, é tudo um filme cômico, desfrutar a comédia da 7ª arte, é o mesmo que desfrutar uma paixão incerta. Merda. É só o que transborda pelos seus ouvidos, sua cabeça lotada sem poder aguentar mais. Foda-se, melhor focalizar no que mais te trouxer paz.

   E nesses tempos tão conturbados, o melhor que se faz é deixar assumir um co-piloto, talvez de cabelos sedosos, delicadeza que se confunde com as mãos em cada qual que já se viu, as mais lindas. "Mas teus olhos morenos me metem mais medo que um raio de sol." Contradizendo a sua idéia, de que apenas substâncias ilícitas lhe tiravam a razão, talvez o amor devesse ser proibido então.

terça-feira, 12 de julho de 2011

facetas,

   É interessante esse processo de endividamento que passa a alma humana ao se deparar com boas ações, qualquer tolo pode ter coragem, eles chamam de força de vontade quando não passa do simples medo da verdade, verdade essa que se faz assustadora demais diante da fragilidade de nossa existência.

   Olhar em volta e ver uma casa de espelhos, todos refletindo diferentes formas de uma mesma pessoa, você. Atitudes, medos e traumas, quando vistos diretamente transformam qualquer sensibilidade em pedra, o altruísmo  parece tão sarcástico, e esses amores, anêmicos onde o que prevalece é a mais pura realidade afetada pelo passado.

   Sem qualquer retórica, piada ou ironia, meus reflexos começam a não mais fazer sentido, te colocando num ciclo infinito onde a amargura faz parte apenas para os que fecham os olhos. Por que tanta importância para com toda essa gente, falar de sofrimento quando não sabemos o que é sofrer, então não é por amor ou por dor, tudo apenas faz parte do viver.

sábado, 2 de julho de 2011

pensamento alheio.

   Quando a comunicação moderna parece entediar, eles nos incentivam a levar uma vida sem roteiro, induzindo a não pensar restringindo-se somente a falar; e que roteiro seria esse, que jovens maduros de casca tanto o querem longe, enquanto vendedores de água-benta tanto lhe oferecem em troca apenas pela sua consciência.

   É tanto amor, amor escorrido, já lhe deram forma coitado, coraçõezinhos vermelhos escondem os enormes cifrões que reluzem na retina de olhos controlados por mentes perturbadas com a própria realidade, insistindo na ação do não pensar para fazer, e rezar para acontecer.