Páginas

domingo, 4 de setembro de 2011

mãos dadas.

   Essa mania de definir-se em faces, classificar e taxar-se, características alheias tiradas de memórias ofuscadas pela rotina; talvez sejam suficiente para desatar qualquer nó nesse trapo velho e mal cuidado que chamamos paixão. Dizer o quanto as pessoas nos fazem mudar, talvez somente em minha concepção, é um erro tão grave quanto julgar saber quem somos por finalidade, quando talvez o que mude não seja você ou eu, mas sim a nossa influência exterior. Por natureza, sei que estou constantemente sendo influenciado externamente, e quando estabelecidos certos laços afetivos, essa influência segue uma linha invisível que me guia até o ponto final dessa mesma.

   Mais parecem janelas esses relacionamentos, enquanto você, de dentro de um quarto vazio vê infinitas possibilidades de horizonte, tendo apenas de estabelecer por quais janelas você prefere olhar. Não pelo fato de como aquela ou aquele nos completa, mas pelo que proporciona a nossa visão, novos horizontes e destinos, em suma, novas realidades a serem vistas. Algumas janelas por sua vez, estarão sempre trancadas, cabendo a nós decidir se queremos ou não abri-las e ver o que seu conteúdo nos reserva e o que pode nos acrescentar. Contudo, até mesmo o sol em certos momentos pode nos cegar, essa consciência cega, excesso de claridade, diga-se como bem quiser, e novamente caberá a nós saber julgar ser real ou não o que por natureza do ser passamos a ignorar.

   Portanto, não é pedir para que solte as mãos da pessoa que se têm presente neste momento a sua vida, mas que a aceite como livre para poder ir embora a hora que bem entender, e só então, saberá filtrar o que essa janela de novas visões poderá oferecer a você. Não passam de palavras vindas de quem sequer começou a abrir suas próprias janelas, que num começo distante atirou possibilidades a esmo, e depois que tudo sempre pareceu se fechar, as mesmas frestas de luz, essas que dou o nome de esperança, não pararam de iluminar meu chão que sempre se manteve estável, por mais que meus pés não o frequentassem como de rotina.

Nenhum comentário:

Postar um comentário