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domingo, 4 de setembro de 2011

mãos dadas.

   Essa mania de definir-se em faces, classificar e taxar-se, características alheias tiradas de memórias ofuscadas pela rotina; talvez sejam suficiente para desatar qualquer nó nesse trapo velho e mal cuidado que chamamos paixão. Dizer o quanto as pessoas nos fazem mudar, talvez somente em minha concepção, é um erro tão grave quanto julgar saber quem somos por finalidade, quando talvez o que mude não seja você ou eu, mas sim a nossa influência exterior. Por natureza, sei que estou constantemente sendo influenciado externamente, e quando estabelecidos certos laços afetivos, essa influência segue uma linha invisível que me guia até o ponto final dessa mesma.

   Mais parecem janelas esses relacionamentos, enquanto você, de dentro de um quarto vazio vê infinitas possibilidades de horizonte, tendo apenas de estabelecer por quais janelas você prefere olhar. Não pelo fato de como aquela ou aquele nos completa, mas pelo que proporciona a nossa visão, novos horizontes e destinos, em suma, novas realidades a serem vistas. Algumas janelas por sua vez, estarão sempre trancadas, cabendo a nós decidir se queremos ou não abri-las e ver o que seu conteúdo nos reserva e o que pode nos acrescentar. Contudo, até mesmo o sol em certos momentos pode nos cegar, essa consciência cega, excesso de claridade, diga-se como bem quiser, e novamente caberá a nós saber julgar ser real ou não o que por natureza do ser passamos a ignorar.

   Portanto, não é pedir para que solte as mãos da pessoa que se têm presente neste momento a sua vida, mas que a aceite como livre para poder ir embora a hora que bem entender, e só então, saberá filtrar o que essa janela de novas visões poderá oferecer a você. Não passam de palavras vindas de quem sequer começou a abrir suas próprias janelas, que num começo distante atirou possibilidades a esmo, e depois que tudo sempre pareceu se fechar, as mesmas frestas de luz, essas que dou o nome de esperança, não pararam de iluminar meu chão que sempre se manteve estável, por mais que meus pés não o frequentassem como de rotina.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

passos pra trás,

   Sei que não existe apenas uma resposta, além do quê, o amor está em mim, mais vivo. Perfeição, utopia, todos esses nomes, encontro no palanque de chegada; ressentimentos que já nem doem mais, por onde andou? Enquanto crescia e não ouvia tudo aquilo que me faltava, vi tudo aquilo que precisava.

   Viver além de mim mesmo, é isso ai, como você achou que ia ser, uma vida simples é boa, caminhei e me apresentei, não como homem, talvez menino crescido, a ver sempre sua cadeira vazia; laços com o vazio substituíram a sua falta de palavra com a verdade, e diferente do vendedor de flores, teus filhos seguiram caminhos paralelos, aquele que escolhe o ceticismo e aquele que escolhe a rotina.

   Se as trilhas caminharam para com esse rumo, teu maior presente foi minha indiferença, no sentido que é meia-verdade, que toda essa "dor" um dia vai passar. Passar a ser crônica, sem muita afetividade a ela, passará por um chiclete grudado em meus pensamentos, e se tudo o que queria era gelo, ainda que me preocupando, terás simplesmente ausência de teu sucessor.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ckfu YOU!

   Exercer minha parte hipócrita de vida, sentado numa cadeira a revisar materiais didáticos, cultura, também chamada de estudos gerais, ou escola fundamental. Desde criança, colocado a ver coisas que não lhe interessam, treinado para valer, valer dinheiro, ser mão de obra, ser escravo, mesmo que não por inteiro; cá estamos, exercendo o papel que sempre nos deixarão por inteiro.

   Pois somos hipócritas, antes sem mesmo saber o significado do próprio adjetivo. "Livres! É tudo isso o que somos." elas exclamam, seguido do velho acordo de pais e filhos, estudar pra poder ganhar... Ganhar? Dinheiro, troféu verde e quadrado, imagem ilustrativa do que os autores estão falando. Seu maior sonho? Foda-se, ninguém liga, o que importa é deles e você, bom, você fica pra outro dia...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desconfie de tudo,

   Que dom, mais parecido com alucinações, tem essa seiva que escorre por todas as suas capacidades, deixam-no desequilibrado. Tão viscosa e difícil de se ver sem, e não se trata apenas de desconfiança, pobre covarde, o futuro é tão longínquo pra você, mero resquício de vida. Resquício esse, que mal serve para organizar as facetas diárias da própria existência.

   A meia-noite se diz sem sono, pobre tolo, não sabe se esta arrependido ou é apenas incompreendido. Dizem os extintos, é tudo um filme cômico, desfrutar a comédia da 7ª arte, é o mesmo que desfrutar uma paixão incerta. Merda. É só o que transborda pelos seus ouvidos, sua cabeça lotada sem poder aguentar mais. Foda-se, melhor focalizar no que mais te trouxer paz.

   E nesses tempos tão conturbados, o melhor que se faz é deixar assumir um co-piloto, talvez de cabelos sedosos, delicadeza que se confunde com as mãos em cada qual que já se viu, as mais lindas. "Mas teus olhos morenos me metem mais medo que um raio de sol." Contradizendo a sua idéia, de que apenas substâncias ilícitas lhe tiravam a razão, talvez o amor devesse ser proibido então.

terça-feira, 12 de julho de 2011

facetas,

   É interessante esse processo de endividamento que passa a alma humana ao se deparar com boas ações, qualquer tolo pode ter coragem, eles chamam de força de vontade quando não passa do simples medo da verdade, verdade essa que se faz assustadora demais diante da fragilidade de nossa existência.

   Olhar em volta e ver uma casa de espelhos, todos refletindo diferentes formas de uma mesma pessoa, você. Atitudes, medos e traumas, quando vistos diretamente transformam qualquer sensibilidade em pedra, o altruísmo  parece tão sarcástico, e esses amores, anêmicos onde o que prevalece é a mais pura realidade afetada pelo passado.

   Sem qualquer retórica, piada ou ironia, meus reflexos começam a não mais fazer sentido, te colocando num ciclo infinito onde a amargura faz parte apenas para os que fecham os olhos. Por que tanta importância para com toda essa gente, falar de sofrimento quando não sabemos o que é sofrer, então não é por amor ou por dor, tudo apenas faz parte do viver.

sábado, 2 de julho de 2011

pensamento alheio.

   Quando a comunicação moderna parece entediar, eles nos incentivam a levar uma vida sem roteiro, induzindo a não pensar restringindo-se somente a falar; e que roteiro seria esse, que jovens maduros de casca tanto o querem longe, enquanto vendedores de água-benta tanto lhe oferecem em troca apenas pela sua consciência.

   É tanto amor, amor escorrido, já lhe deram forma coitado, coraçõezinhos vermelhos escondem os enormes cifrões que reluzem na retina de olhos controlados por mentes perturbadas com a própria realidade, insistindo na ação do não pensar para fazer, e rezar para acontecer.

 

terça-feira, 28 de junho de 2011

solitária.

   Você lê nos livros o que lhe parece de acordo com a realidade mais aceitável que essa mente tão conturbada define como correto ou não. Valorização da verdade, tão relativa e cheia de complexidades, parece fácil de se definir quando ditada por alheios que pensam compreendê-la tão ferozmente quanto um homem compreende uma mulher.

   Hora julga estar preso, hora julga ser livre. Liberdade que realmente não se depara mais com a minha pessoa, ouvindo fatos cotidianos, de quem não parecia ser um porém, faz brilhar a luz que ilumina a solitária, onde sua mente sem perceber se confinou e armou de argumentos fictícios e sem qualquer escrúpulos fazendo das palavras uma hierarquia que por consequência, penitencia seu ser.

   Verdade essa que não quer calar, evito sons, evito imagens, mas o que mais faz pensar é se essa coisa do "e se" não for só mais um devaneio de realidade, e você sem saber, pode estar perdendo o que não fazia parte da sua maioridade. Mudanças, jogadas contra a parede e retratadas como um nada, e você sabe que o que lhe dizem tem sentido; não será preciso mudar, mentes formadas não se resumem a algo concreto e coerente, cabe a mim mudar apenas a forma de pensar, tirar de vez do peito a solidão.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

De uma utopia passada;

   De tempos quando o corpo não pedia mais da minha própria alma, minha vida não parou, momento algum. Tudo que escuto me parece "zum zum zum", quando tudo o que eles querem é um sim, meu cartão postal retrata o fim, mas não por ânsia que o mesmo se aproxime, talvez porque o que passou foi inspirado sem fins. Nostalgicamente o frio demonstra um talento incomparável de se fazer insuportável feito tempos antigos, tempos a qual você parece nem se lembrar mais.

   O vento abre o guarda-chuva, as folhas parecem não cair mais das árvores, turbilhões de insuficiência sentimental passam no meio do seu peito e congelam tudo o mais que havia ainda vivo. Essa mania de desvio da realidade, tão ilícita quanto deveria ser a sociedade, se faz como meio escolhido a fugas mentais, infelizmente talvez isso comece a me desmentalizar, de repente olho pra frente sem saber o que falar.

   Não ouço mais o galo cantar, sob a selva metalizada por instinto acendo uma vela e me deixo guiar, sem rumo ou caminho tudo o que faço é planejar, ta na hora de lutar, começar, fazer e terminar. Ai começam a pedir a chave pra abrir o que tem aqui, não não vai rolar, não mais, tudo o que fiz foi trancar, sem planos para o que vai ser ou no que vai dar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

faz o meu tipo,

   Desde um perfume que faça curvarem as flores até o simples odor de cabelos suficientemente longos ao relento, e os olhos, por favor, que se desviem e mostrem a vergonha que esconde seja qual for o sentimento; por puro desleixo pessoal, talvez as mais baixas, como os menores frascos que elas sempre mencionam e as mais magras, que por vezes, não pensam em comer pouco.

   Cabelos soltos, nada como eles para tornarem o vento tão bem feitor, roupas leves que é de costume da maioria em dias quentes, prendem a atenção quando combinadas com o caminhar que faz tornar-se um privilégio o fato de possuir olhos, que quase não se fecham, perseguindo o rastro de beleza que cada qual deixa.

   Nestas mãos, tão bem feitas por tantas lixas e cremes esfoliantes, fica a prisão de corações frágeis que possa vir a prender perpétua-mente o primeiro distraído que por ali se arriscar. E por mais cruel que pareça, acaba por se tornar um vício toda essa situação aguda que insistem os tolos ou loucos arriscarem, e por mais que você tente, o ímã desse mal lhe atraí, a não ser que não tenha coração, vai te agarrar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

hipócrita da sua parte.

   E novamente a inspiração me soa o alarme, mas será que felicidade anda junto com criatividade? Não se trata de imaginação, apenas alguns cacos de um espelho jogados ao chão. Faz parte do cotidiano não cronometrado dessa vida que insiste em me paparicar quando tudo que tenho para falar são sempre insatisfações, não existe qualquer sábio, filósofo ou fada madrinha que me façam voltar a acreditar.

   Talvez me falte um pouco de cativação utópica, grande merda, me vem a vontade de desistir, que agora diferente, não é abafada pelo desabafo próprio, palavras já não são o suficiente - talvez nunca sejam - e a base de um ombro ainda me falta quando não é suficiente ser apenas inteligente.

   "Estou aqui, com você, para o que der e vier, sempre pra falar nunca pra te ouvir..." é o que sempre dizem, não dizem nada, não precisam, as pessoas lhe passam em branco, funcionalidade ou qualquer motivo de existência elas já não conseguem se apresentar, o palco da vida está aberto e um amigo ouvido não lhe quer aparecer. Que tal nunca mais chorar? É pura loucura insistir, e motivos que me façam retroceder já deixaram de ser apresentados, para mim, estão todos petrificados.