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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

quase nada,

   Olha só a menina, ali, sentada no banquinho da praça, observando os pássaros e inalando a poluição, não a química, poluição cultural que teus pais lhe transmitem, e pra quando chegar em casa acreditar em toda a farsa que os mentirosos de terno e gravata vão contar. Aprender a ser quem não devia, a querer usar o que não precisa, e disso tudo, o que sobra é a dignidade que eles dizem ter quando abraçam um bebê.

   Pra quando crescer, aprender que o mundo se resume a subir e crescer, pisar e provavelmente não lembrar nem de quem te deu de mamar. Quem dera ver o filho crescer, sabendo que pra sonhar tem que crer, caindo e no fim levantar rindo, que fé não é tudo mas que sem ela não se pode ser nada.

   Ouvir teu irmão no telefone, conversando e discutindo, namorada chata que não deixa o coitado continuar dormindo, ser criança, não acordar pra toda essa vida insensata que mais parece aquela nossa tia chata, que te aperta e sufoca. Falta liberdade! E se a paz não me deixa escolha, fujo do campo e volto pra cidade, pra no fim poder dormir cansado, apenas se for com alguém abraçado.

   Quase nada sobrou, mais essa ano que passou, essa nossa vida que continuou, as lágrimas já secaram e  sobrou apenas o sal, que clareia a pele e faz alguém ver, que como você ela sangra. Sob o céu estrelado, escutando a melodia perfeita com a alma acesa e deitados num véu azul turquesa, o som do espaço que nos faz viajar, nos lembrando o barulho do mar.

   Há tempo não paro pra me expressar, me arrasto deitado, longe do alto, me derrubaram e vão continuar, e mesmo assim preciso levantar, preciso caminhar. Cada acontecimento no tempo ideal, amaldiçôo esqueço e faço valer cada atitude irreal, se for assim que deve ser feito, vou fazer de tudo pra esquecer que um dia errei, pra poder tentar até até conseguir acertar, porque do amor, foi feito um sonho, e desse sonho me foi feito a esperança de um dia amar sem medo de errar, e ser amado por alguém que não tem medo de me falar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

luzes acesas.

   Dia de chuva, cedo levanta otimista acorda, e como numa bomba tudo fica claro, seus sonhos não deram certo, seus amigos vão embora e sua família está ausente, sua base dessa vez parece ceder, a parte que considerava mais importante começa a trincar, e o brilho se apaga como uma lâmpada na chuva.

   Fica difícil querer lutar, todos eles querendo te derrubar, os que parecem querer ajudar são os que mais lhe tiram o ar. As pernas já não tem a mesma força de antes, o sonhos já não representa o futuro tão certo, e a minha base agora parece ser apenas eu, o amor não correspondeu, a vida mais uma chance lhe deu, e esqueceu que em casos como esses, tudo não depende só de você.

   Olho para o alto, faço orações, gotas caem em minha face e procuro um lugar onde eu possa me aconchegar, não aguento mais, o barulho, as luzes, as pessoas, gostaria de um lugar, onde minha amizade seria a música, e meu sonho... já não exista mais. E são todos os lados opostos de uma vida, conturbada na maioria das vezes, e sorridente apenas quando as luzes acendem.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

seus maiores medos,

   Não está mais baseado no que quero ou devo ser, no meu tamanho comparado a quem está do meu lado. Posso perder meu lugar ao sol, meu banco de praça e até meu amor próprio, se tudo o que me faz levitar está baseado no que nunca foi preciso alcançar.

   É tudo uma estrutura, não é fácil identificar cada uma delas, sob todo esse sistema, criado e projetado para nos derrubar, e faz pensar quem cai, que a vida é uma rotina, e o sopro de vida que continham os joven, vemos queimados em labaredas escuras, tanto quanto o cabelo nazista do inimigo.

   Não é o que eu deixo de fazer que corresponde ao que eu sou, assim como pensamentos são a prova de balas, armas em punho, contra o monstro idealista, minha mente carregada com munição, apoiado em minha base, família, amigos.. amor. Até o início do ano tinha o plano para ser um, hoje termino sendo vários, dois, e tudo, menos sozinho. E se pedirem para que me ajoelhe, que o pelotão faça seu trabalho, pois contra uma parede de tijolos, ideais são como tanques de guerra, ao menos, a minha base não cederá.

E o meu podi de chegada, tem abraços de amigos e beijos de namorada.

sábado, 4 de dezembro de 2010

esboço de românce.

   Ainda gosto de ouvir as mesmas músicas, mas não que escutava, só me faziam bem as que você ouvia. Lembra de quando ouviram uma juntos, cabeça com cabeça, os dois corações no mesmo sentido ritimado da música, e por mais que parecesse brincadeira, ambos sabiam que aquilo significava mais, mas não era necessário comentar, tinham certeza de que o outro sabia.

   As minha idéias fluem, assim que me afasto de você, a perturbação volta a qualquer movimento para trás, e seguindo cada passo vamos juntos, de coração trocado, seguimos lutando sobre o sangue de cada punho. Amo quando mente sentir saudades, me faz crer que é real, talvez não seja a minha real face, a honesta, de qualquer forma, com o teu olhar, seria difícil no miníno não delirar.

   Talvez a grandeza que pedi não tenha sido a mesma que atingiu, talvez seja necessário alguém com cursos parecidos, para não ter de separar as mãos por conta de uma separação de caminhos. E por mais que me magoe, sempre estarão a minha disposição, cada música que ouvi, e lembrando de você me fazem bater o coração.

   E talvez após tanta dúvida, aquela folha que por sorte pude ver e tirar do teu cabelo, não tenha caído em vão, não tenha sido só parte de um sentimento finito, sem realidade. Aquela música que nos acompanhava, que se torne um símbolo do quão felizes fomos, e do quão ainda podemos ser, como as canções e as palavras.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

minha base.

   Parado aqui pensando, a chuva la fora caindo e na sua vida as pessoas entrando e saindo. É deprimente, invade a minha mente, e toda a nossa história retratada numa corrente, um amor, que visto de cima mais parece transparente. Não tenho tanto tempo, não da pra passar assim para a próxima linha, quero valorizar cada palavra, não importa qual sejam, é com elas que posso mais, me ajudam a respirar, feita da paixão de muita gente, cabe a quem quiser entender que a única coisa que faço é escrever.

   Chorei, cada lágrima percorrida em sua face, o sorriso estampado no rosto de cada um, fecham um circulo eterno, não é necessário dar a mãos, é só mais uma fase que se fecha, um engano pensar que o futuro está sempre distante. Cada passo meu, devo a cada apoio de cada ombro, cada história, cada riso e mágoa compartilhada, só fazem ser mais eterno meu louvor e agradecimento a cada um que tive a sorte de ter em minha vida.

   Pela primeira vez me faltam palavras, simples demais para descrever algo tão complexo, corroe a tristeza e materializa minha felicidade. Foi cada momento que vivi, cada lágrima que deixei cair, cada sorriso... Deixo minha herança, essa que não é muita, se limita a abraços e conselhos, mas garanto que cada um será mais sincero e verdadeiro que qualquer dinheiro ou pedra preciosa.
 
   Sei que o tempo vai passar, as agendas vão lotar, e tudo vai mudar. Mas sei que minha gratidão vai durar mais que todo o tempo que nos distância,  só tenho a agradecer, se a vida teve sabor, se um dia soube o que é amor, não há dúvidas que foi graças a vocês.
 
"Porque nada, jamais, substituirá o companheiro perdido. Velhos camaradas não se criam. Não há nada que valha o tesouro de tanta recordação comum, de tantas horas más vividas juntamente, de tantas zangas e reconciliações, de tantos movimentos de coração. Estas amizades não se refazem, não se refazem..."
 
Obrigado amigos!