De início são vistas apenas duas portas, mas isso porque seus olhos estão afetados pelo acumulo de substâncias letais em sua mente. É esquisito entrar pelas duas portas ao mesmo tempo, logo onde se deveria haver o carpete de boas vindas permanece a escuridão plena, escuridão amiga. Um perfume não convencional lhe captura a atenção e de repente você está descalço em meio as pedras pontiagudas que, você não sabe por que, estão ali.
Amaldiçoar a tudo não está em questão, as pessoas realmente não querem lhe ouvir, e se esquecem segundo pós segundo que, por natureza física fomos feitos para ouvir não para discutir. Agora se vê num impasse, justo quando resolveu falar, desabafar, ninguém mais quer lhe escutar e murrar um espelho não vai adiantar.
É desnecessário pensar em situações tão pouco agradáveis e excessivamente constrangedoras, é horrível estar confuso. Viciado em jogos, claro, toda essa vida adquirida por apostas simplesmente jogando com a vida, é como jogar dados com o amor ou entrar em cheque e não ter saída. Parece até comercial de pasta de dente, famílias felizes e filhos com dentes saudáveis.
É engraçado pensar em como a vida se resume a momentos tão curtos, que depois de uma corrida, você ai todo suado e fedido entrelaça os dedos a uma mão delicada, e sente o frio da ponta de cada dedo que você não sabe dizer ser seu ou dela. São momentos que mesmo após toda a dúvida e incerteza, toda a burrice e culpa, toda raiva e amargura, resumem a sua vida tão mais simples, tão mais feliz...
Tudo que fiz, que farei, que preciso e que precisei, nada disso resume todo o fato de haver dentro de mim, uma necessidade de continuar andando, mesmo que por minutos essa fé falhe e meu teto desabe, eu sei que nunca vou saber por onde andar, e sem dar importância exagerada aos problemas a estrada é longa e a paisagem é bela, tão perdido quanto uma joaninha num limoeiro.

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