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sábado, 14 de setembro de 2013

Gosto do que desafia
o que sou,
Do que insiste
no que não sou.

Sou, por assim dizer,
Estar efêmero
e quase alucinado
De tanta lucidez.

Brilho que cessa
o definido de ser,
Mais escuro
que o próprio escuro
E faz do tempo
seu escudo.

Alegria e tristeza,
desgostoso de gostar,
faltoso em desejar.
Almejo tudo
como quem vê a si mesmo
Desperto,
de um grande sonho
Confuso.

Dia bom

São desses dias
em que rir
é fugir;
A tarde 
cai devagar
no ritmo do cantar
de pássaros,
Com o peso
de uma folha caindo
ou a leveza
De um sorriso abrindo.

Dia bom
é desses impossíveis
não ter música,
café e emoção.
Queria era fazer isso
a vida inteira,
Disso tudo
fazer carreira.

Dia bom
pode ser som,
pode ser qualquer hora,
pode ser café com poesia
e até, amor e amora.
Só não pode
ser de ironia,
Fazer o que não queria

sorrir sem alegria...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Conversar,
Ouvir e calar.

Falar,
abrir e despir-se.

A solidão mora
num buraco
no meio do peito
do tamanho
duma amora.

Será que não fala
quem cora?
E cala
quem fala?

Ouvir,
flutuar..

Cala por coragem
ou
late por vantagem?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Eu riacho

Aos meus sentimentos cascata
a qual cada um insiste
se fazer minha casa,
Fazendo-me nadar
nesse interstício entre o tudo
e o nada. 
Serão eles
a prancha que me separa do mar?

Onde vamos parar?
Esse processo me tira a paciência
e a escalada da vida
Sempre parece... Tudo.
Nada.

Correr a linha subjetiva
é a vontade última dos homens,
Passar tudo tão rápido,
quanto o próprio ato de ser feliz.

O passado é tudo o que existe
e o presente vem passando.
Palpito, sem qualquer certeza,
ser o nosso objetivo
Tentar seguir andando...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Eu artesão de mim

O aqui vive.
Argamassa de certezas e mistérios,
Dúvida repentina e eterna,
Solidez fugaz de tudo e nada.

Caminho numa estrada vazia de vazio,
Dividido pelo que quero e queria
Resguardo-me às vontades da
Vida, que me faz de vítima e criminoso,
Nas ações da minha própria pessoa.

Têm coisas que faço
Sem haver um porque.
Mas, pensando bem,
Também não conheço os porques
dos meus por ques.

Não entendo de explicações
que insistem serem impostas;
Não entendo de imposições
que preferem não se explicar.

Será que a única via à se seguir
é o simples ato de continuar a ir?
Pessoas ordinárias e extraordinárias
- dizem autores nem tão antigos -
formam a humanidade.

Utopia coletiva e utopias individuais.
Gostaria mesmo
de poder unir todas as diferenças
E traduzi-las ao ato
de moldar o mundo feito um vaso de paz.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Escolher (?)

Pare e pense
O que é mais recorrente
que o antagonismo da nossa mente?

Tantas são as possibilidades
E o infinito parece um mar.
Como encontrar-se
Se as esquinas viram 180°?

Será que o caminho é o caos?
Ou as coisas por si só
explicam-se em suas confusões?

Confundem-se apenas pensamentos
filamentos de uma realidade parcial,
Convulsões de vida!
Chocando-se com discernimentos
mal divididos.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Eu vi

Eu vi o meu rosto
naquele e naquel'outro
que faz da sua casa a rua.
Jogado a mercê
no frio da pena e da cidade.

Eu vi algumas casas e igrejas
Tão cinzas e quentes.

Eu vi a mim mesmo
com sacolas nos pés.
Sem esperança de afeto,
quanto menos algum teto.

Eu vi, eu vi
Me olharem feito um cão
Pudera!
Tratarem-me tão bem
quanto um vira lata.

Eu fui/sou:
o Edson,
              o Alex,
o Elton,
            a Célia,
e tantos outros pela qual
o cartório me permitiu ser.

Eu vi a esperança tão cinza
quanto os céus de São Paulo.

Eu vi, passar na faixa uma criança.
Mão dada a mãe.

Cada história mal contada
mal acabada.

Em ruas tão geladas

Eu vi um frio de arrancar lágrimas,
mas que não arranca a covardia
Contra a vida
de tanta gente sofrida.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Devaneio 1

Propósitos inexistentes
Fazem-me correr em direção ao 
nada
Nadando contra a maré
Dos desejos definidos e
Delineados pelo contorno de 
abstrações
Guiado pelo turbilhão
Das estações climáticas corporais
Do inverno a primavera
Vivendo do simples fato em si
a procura de um pouco de paz
Arrecadando participações belas
que me ajudam a retornar
Pr'onde nem sei como vim 

Devaneio 2

Eu não sei fazer poesia
Dar consistência ao inconsistente
Destrancar as gavetas das sensações.
Mas
ao menos
Aprendi a dar "bom dia!"
Agradecer a alegria
De,
por acaso,
Não serem minhas emoções
um mar de monotonia.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Objetivos

Na busca de uma realidade aprazível
às minhas necessidades tão fugazes,
Encontrei a tranquilidade
Fugindo de toda essa vaidade;
E, de todo esse mundo externo
Escapei do inferno
Me refugiando no que chamo
de meu eu interno.

Nessa estóica linha tênue
Entre o real e o irreal
Sigo pelas calçadas
Desvencilhando-me de todas as razões
Que me levem ao taciturno mundo
do mercado de ações.

Essas roupas escuras
Que vestem os meus anseios
do cotidiano. De repúdios,
protestos e recessos
Seguindo as setas dos devaneios
De sonhos ou ilusões
Habitando um porvir
Onde não conhecemos decisões
Onde não havemos de chegar

Armado de sentimentos
que não controlo,
Por vezes, rezo,
Me canso...
Não dá para desistir,
mas também, quase não dá!
Resistir é consequência.
Sendo assim
O que vem na sequência?

Ora pois, o quê é que vem depois?
Da vida, a morte é filha?...
Ou seria o contrário?
Onde os prazeres e felicidades
caminham de mãos dadas com nosso calvário
Agradeço o custo-benefício de viver
Desde que não precise de ofício
Para poder e
ser.