Eu vi o meu rosto
naquele e naquel'outro
que faz da sua casa a rua.
Jogado a mercê
no frio da pena e da cidade.
Eu vi algumas casas e igrejas
Tão cinzas e quentes.
Eu vi a mim mesmo
com sacolas nos pés.
Sem esperança de afeto,
quanto menos algum teto.
Eu vi, eu vi
Me olharem feito um cão
Pudera!
Tratarem-me tão bem
quanto um vira lata.
Eu fui/sou:
o Edson,
o Alex,
o Elton,
a Célia,
e tantos outros pela qual
o cartório me permitiu ser.
Eu vi a esperança tão cinza
quanto os céus de São Paulo.
Eu vi, passar na faixa uma criança.
Mão dada a mãe.
Cada história mal contada
mal acabada.
Em ruas tão geladas
Eu vi um frio de arrancar lágrimas,
mas que não arranca a covardia
Contra a vida
de tanta gente sofrida.
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