Páginas

sábado, 2 de junho de 2012

15 primeiros segundos

Ele e ela, ela e ele
ele pode e ela não considera,
alguma dúvida?
Vice e verso,
o que eles querem não se desenha,
só cheira e não vê.
O que dela é grande
a ele pertence
e o que dele é errado
com ela tudo se vence.

domingo, 27 de maio de 2012

não sense.

   É estranho pensar; pensar no fato de que você não sabe o que é pensar, bem aquilo que te traz razão, não tem razão alguma. Onde está a arma? Temos balas por todas as paredes, tiroteios de ideias, você coloca seu colete e se protege de cada pessoa que morre. É rotina, o chão está cheio de corpos e você continua grudado no seu sofá.

   Tantas aparências, música no ar... Aqui não existem mais pássaros, alias, sobraram alguns, mas esses cospem canções de achar, devoram seu ar, a beleza que está escondida faz seu coração pensante pulsar. Existe desespero, falta até tempero, e no porão da suas sórdidas imagens, análises psicológicas mostram a doçura de um leão.

   Chega a doer, as paredes se fecham, vou pular pela janela. Fobia de respirar, velejando em alto mar, essa dúvida de achar que te mata e apaga qualquer chance de um ser Supremo. Eles riem, colocam as caixas sobre a mesa e pegam suas facas, acho que é tudo legal, sua mente já está perturbada, há quanto tempo? Há de se pensar... E mais uma vez, tenho dúvidas do que achar.

sábado, 19 de maio de 2012

faço questão,

   Tomar um banho quente, ressuscitar a intervenção pessoal, interior. Pessoas gritam, falam, gargalham... A noite está fria hoje e ainda há filmes na TV. O volume diz coisas de um modo peculiar, torna engraçada essa coisa de pensar o que falar, se comunicar despertando apenas o olhar. Pratos de porcelana por todos os lados, essa estranha sensação humana, não poder fazer nenhum movimento em falso, quando infelizmente, não há para onde ir sem quebrar alguns deles.

   Repercussões pertinentes, dignas de um palhaço, o que é a realidade? Se não uma imensa comédia, onde sua face é o picadeiro e seu nariz o mastro que sustenta a lona. A limitação é tão grande, que torna-se obrigação se focar em algo que lhe faça esquecer tudo. Em alguém você deve acreditar... Crescer, sair e cuidado pra não se matar!

   É cedo pra quê? Pra mais uma vez, como sempre, estar em dúvida? Capitão, traficante, delegado ou marginal... É falsa a ideia de identidade, suas palavras provam isso e você achou que poderia aguentar. E de repente, alguém que se mostra verdadeiramente humana, lhe faz pensar a perversidade que pode existir, nessa ideia de ser e exibir.

sábado, 5 de maio de 2012

Agora já não é normal.

   Saber a data de nascimento já nem importa mais, crescimento feito árvore, não importão os anos, mas as raízes que finquei no decorrer deles. Bog afaste essa mecânica sem lógica, laranja sem suco, deixe em paz meu coração, que devido a tropeços errantes, me chamam de bundão. Não sei se é desatenção, caminho pelas ruas me sentindo na obrigação, ser quem foi deixado, esquecer a vida de largado, enlouquecer e, como é de costume, rever o meu próprio entender.

   Me vêm um samba baixinho, pintado de orgulho com uma taça de vinho, quero ver o que você faz, que acredite sem mais, de tantas almas, junto a sua, algo me remete a paz. Não que o passado tenha deixado de existir, é interessante ouvir, mesmo sem falar, o quanto tudo muda sem nem ao menos avisar.

   Suposições do que pode ser, navegar em águas desconhecidas, no fim, mais vale deixar acontecer. Cheirinho de alecrim, cá estou enfim, mas agora empenhado para que exista um 'eu e você' sem pensar no fim. Me diz pra onde ainda posso ir, se no estreitamento da vida de 'gente grande', tudo o que sobra não nos deixa rir; não, acho que estou num caminho sem ir, sem ideia de como dele partir ou como dele sair.

   Sigo cantando, sou viajante, em meio a tantos 'Eus' me vejo apenas como pensante. E o que dizem não ser possível, sem equilíbrio ou pestanejante, meu caro amigo eu não pretendo provocar, mas algumas coisas eu vou mudar, inclusive o fato de você me dizer o que vou ser ou até o que devo fumar.

domingo, 8 de abril de 2012

Introspecsônia

   Não me dou mais ao luxo de 'ser': adulto, criança, responsável, forte, fraco... Definições não servem mais, caiu a ficha, é verdade, hoje me vejo de cara limpa. E aquela vontade de voltar correndo atrás, que vêm e volta, tem vezes que parece a melhor opinião, outras, viagem desse meu cabeção.

   Hoje eu matei o presidente e o que era panela de pressão, virou calmaria, é quase coisa de feitiçaria. Adversidades não faltam na minha estrada, bom é saber que sigo o certo até na linha mais errada; de repente o pensamento parece mais lógico e, hoje mais calmo, meu melhor amigo se tornou o relógio. 

   As definições foram tantas, idéias acarretadas em fortes discussões; escutam o que você quer dizer e, mesmo sem querer, me vejo de novo sozinho tentando entender quem eu tento ser. A infância não se foi, basta colocar os óculos escuros, calçar os sapatos e pular cada um dos muros; não tenho mais pressa, minha vida é essa e, hoje, para amar, não a mais nada que me impeça.

Quem é você é quem?

   Na procura de alguém que me tire da minha própria mente, que diga que não sou gente, que preciso ser mais competente; entender que ser você, é ser todos ao seu redor, todos na sua vida, todos que você amou, ou qualquer um em que no mínimo, antes de dormir, você pensou. 

   Exercer nossa liberdade de crer, ao mesmo tempo, nossa prisão é o ser. Eu juro, para aqueles que foram embora, me dê isqueiro, porque esses eu esqueço com uma tora; não tenho nenhum truque, nem sequer sou duque, só a sorte de estar no lugar certo quando a paz está por perto. Eu abro os olhos e, agora o que eu quero ver, que todos possam acreditar no que podem ser.

   Eu morava numa cela, barras de aço e coração sempre aos pedaços. Dizem que crianças não sabem o que é amar, coitados... Não dormem a noite, pedem por paz, mais parecem soldados. Quero toda noite um sonho sob a luz do luar, sem essa baboseira de se encontrar, a gente sabe o quão maior é essa coisa do amar. 

   Digo ter três pés, com dois eu sigo e o terceiro fica bem atrás, não pra dizer que não consigo, é só pra alertar certas situações de perigo. Não, não é medo, é apenas a ideia de alguém que acordou cedo...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Na na na naia!

   Ela é paz pra palestina, fogo na babilônia. Igualdade, respeito e liberdade; entre os animais, somos os mais livres e ao mesmo tempo os mais presos, desse amor que liberta, as vezes solidão é o que nos resta. Solidão construtiva, ócio destrutivo, um incenso aceso, e os do dedo amarelo a gente vê sendo preso.

   Mas é isso, rever a responsa todo dia, acordar fazendo uma prece e lembra que quem é vivo sempre aparece. Em ocasiões assim, vários assuntos aparecem, você e seus irmãos, não precisa de mais nada, a gente já se reconhece; pensar no que se perdeu, pensar por pensar, são só lembranças do que poderia ter sido o meu 'eu'. Ninguém explica, de onde vêm, aonde fica...

   A gente fica sem saber o que falar, talvez, sabendo apenas como se portar. Pensar se compensa, e novamente a gente pensa, eu nunca saberei! Só sei que nada sei, razão ou emoção? Tá tudo junto no mesmo coração, querendo transformar esse mundo em uma só nação. Me vejo afundando, em cima toda a massificação, em baixo meus dois pés, sem qualquer chão; sem hora e sem estresse, as vezes explodiria o mundo, e ai, é só lembrar de tudo que acontece.

domingo, 1 de abril de 2012

consciência.

   Muitas pessoas, inclusive eu, enchem a boca para falar sobre consciência; agir de forma consciente - e isso incluí o ato de votar - é, se não uma obrigação, o puro ato de agir "corretamente". Mas e se, depois que você passa a não mais crer em certo ou errado, nos retermos a pensar nessa consciência, no votar com sabedoria e razão, mais me convenço de que não existe consciência alguma, apenas uma desgastada confiança e, atrevo-me a dizer, um pouco de fé.

   Eu não sou dono da verdade, menos ainda da consciência, essa que só conheço o conjunto de letras, e tenho motivos para declinar-me a acreditar que uma vigésima parte dela esteja ligada a razão. Afinal, é do feitio humano desejar para si aquilo que vai contra a razão, conscientemente. E para você, que agora ri, dizendo não pertencer a esse suspeito grupo de homens/mulheres que agem contra si próprios, só peço para que pense na última vez em que chorou por 'amor'.

   Porém, nada me irrita mais do que a expectativa de consciência, aquela onde não se precisa pensar, apenas se faz por conta de uma obrigatoriedade banal, daquelas que são tantas vezes intimadas a você, que algumas pessoas chegam ao ponto máximo de 'adaptação e sorriem, com a certeza de que são felizes estando em baixo sendo diretamente obrigadas a escolher quem vai em cima.

   Eu considero a alienação um furto, um furto do que poderia ter sido, um furto da liberdade, mas como todo furto, para se ter consciência dele, primeiro precisamos descobrir que estamos sendo 'roubados'...

   Portanto, sorriam! Vocês estão sendo furtados.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

o diabo veste detalhes.

   É estranho não ter mais aquela velha "inspiração", ultimamente a vida mais parece com o refrão daquela boa velha da Cássia Eller: "Socorro! Não estou sentindo nada!". Mas, quando você lembra não estar mesmo, vêm aquela enorme e célebre, que mais parece um carro alegórico de carnaval atravessando uma de suas orelhas e saindo pela outra, filho da culpa...

   A internet já não parece aquela magia de antes, não é mais tão fácil conversar, talvez pela necessidade quase  irreal de se ter o contato com os cinco sentidos. Risos e palmas, tudo mentira barata, quando se sabe a dificuldade que existe em manter conversas hiper conectadas numa tela que a noite, mais parecem queimar as suas retinas. E depois de um monte de filmes, enfurnado dentro de casa, você acaba acreditando, por mais descrente que seja, em finais felizes, e graças a eles, por algum motivo que ainda não consigo identificar, vou procurar algo parecido em conversas de facebook, que sempre terminam com o notebook aberto e meus olhos fechados.

   Reclamam que você não é flexível, que sempre quer ter a razão e não notam, que no mesmo momento que dizem isso, está concordando com eles. Não quero ter razão, exemplos já me mostram que razão é só mais um adjetivo para as nossas atitudes, pra tudo, alguém ganha e alguém perde - e a isso me refiro não só a seres "pensantes". E a verdade, que ultimamente não vale nem o que defecamos, coitada... Colocaram ela numa dessas valas, daquelas antigas que se usavam em sítios para satisfazer o chamado da natureza, e cobriram com todas as suas palavras digeridas, idéias dissolvidas.

   Tô tentando ser otimista, acredite. A física quântica diz que nós nem sequer nos tocamos, então, a internet é o futuro, o problema mesmo, deve ser esse imediatismo em querer ser feliz, afinal, a vida são os grandes momentos, e o diabo está nos detalhes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

me disseram;

   Essas noites de verão insuportavelmente quentes, sem nuvens que te tragam lembranças - lembranças que correm o risco de sequer existirem - e co-responsáveis por trazerem pessoas a porta de sua residência. Calorosas são as saudações entre você e eles, no fundo, isso tudo pouco importa, a realidade é que estão ali atrás de outra coisa, outros valores. Culpa dessa necessidade - falsa - mútua dos demais por uma satisfação regada a relações humanas e prazeres instântaneos, toda essa merda que você escuta em toda a sua vida como: "Não somos ninguém sem alguém!". Bom, eu discordo, para isso deixo a palavra com os ermitões que a Record não se cansa de mostrar.

   Procurar erros já se torna uma especialidade, e claro, essa sociedade, essa organização, o que temos de fazer, como temos de nos vender, o que vestir, para onde ir. E dizem para mim, "queria ser 'foda-se' assim como você.", mas será que ligar o foda-se, não seria uma injeção de verdade? Verdade intangível, a qual ninguém realmente quer saber, camuflada propositalmente pelos contos de fada modernos, onde sempre alguém especial apenas o é, se possuir uma alma gêmea que lhe camufle todas as imperfeições e esbanje todas as suas virtudes.

   Especial? Tô mais pra especialista, especialista em tentar não me apegar, tentar não sofrer, tentar não pensar, tentar fazer o 'certo'. Em suma, especialista em tentar. Poderia vir até em casa, uma dessas babás encantadas, com poderes mágicos e o dom de trazer felicidade! Oh, merda! Voltamos a felicidade proporcionada por relações humanas unicamente mágicas e especiais; vê? Qual a sua verdade?