Páginas

quinta-feira, 9 de junho de 2011

De uma utopia passada;

   De tempos quando o corpo não pedia mais da minha própria alma, minha vida não parou, momento algum. Tudo que escuto me parece "zum zum zum", quando tudo o que eles querem é um sim, meu cartão postal retrata o fim, mas não por ânsia que o mesmo se aproxime, talvez porque o que passou foi inspirado sem fins. Nostalgicamente o frio demonstra um talento incomparável de se fazer insuportável feito tempos antigos, tempos a qual você parece nem se lembrar mais.

   O vento abre o guarda-chuva, as folhas parecem não cair mais das árvores, turbilhões de insuficiência sentimental passam no meio do seu peito e congelam tudo o mais que havia ainda vivo. Essa mania de desvio da realidade, tão ilícita quanto deveria ser a sociedade, se faz como meio escolhido a fugas mentais, infelizmente talvez isso comece a me desmentalizar, de repente olho pra frente sem saber o que falar.

   Não ouço mais o galo cantar, sob a selva metalizada por instinto acendo uma vela e me deixo guiar, sem rumo ou caminho tudo o que faço é planejar, ta na hora de lutar, começar, fazer e terminar. Ai começam a pedir a chave pra abrir o que tem aqui, não não vai rolar, não mais, tudo o que fiz foi trancar, sem planos para o que vai ser ou no que vai dar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

faz o meu tipo,

   Desde um perfume que faça curvarem as flores até o simples odor de cabelos suficientemente longos ao relento, e os olhos, por favor, que se desviem e mostrem a vergonha que esconde seja qual for o sentimento; por puro desleixo pessoal, talvez as mais baixas, como os menores frascos que elas sempre mencionam e as mais magras, que por vezes, não pensam em comer pouco.

   Cabelos soltos, nada como eles para tornarem o vento tão bem feitor, roupas leves que é de costume da maioria em dias quentes, prendem a atenção quando combinadas com o caminhar que faz tornar-se um privilégio o fato de possuir olhos, que quase não se fecham, perseguindo o rastro de beleza que cada qual deixa.

   Nestas mãos, tão bem feitas por tantas lixas e cremes esfoliantes, fica a prisão de corações frágeis que possa vir a prender perpétua-mente o primeiro distraído que por ali se arriscar. E por mais cruel que pareça, acaba por se tornar um vício toda essa situação aguda que insistem os tolos ou loucos arriscarem, e por mais que você tente, o ímã desse mal lhe atraí, a não ser que não tenha coração, vai te agarrar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

hipócrita da sua parte.

   E novamente a inspiração me soa o alarme, mas será que felicidade anda junto com criatividade? Não se trata de imaginação, apenas alguns cacos de um espelho jogados ao chão. Faz parte do cotidiano não cronometrado dessa vida que insiste em me paparicar quando tudo que tenho para falar são sempre insatisfações, não existe qualquer sábio, filósofo ou fada madrinha que me façam voltar a acreditar.

   Talvez me falte um pouco de cativação utópica, grande merda, me vem a vontade de desistir, que agora diferente, não é abafada pelo desabafo próprio, palavras já não são o suficiente - talvez nunca sejam - e a base de um ombro ainda me falta quando não é suficiente ser apenas inteligente.

   "Estou aqui, com você, para o que der e vier, sempre pra falar nunca pra te ouvir..." é o que sempre dizem, não dizem nada, não precisam, as pessoas lhe passam em branco, funcionalidade ou qualquer motivo de existência elas já não conseguem se apresentar, o palco da vida está aberto e um amigo ouvido não lhe quer aparecer. Que tal nunca mais chorar? É pura loucura insistir, e motivos que me façam retroceder já deixaram de ser apresentados, para mim, estão todos petrificados.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

superficial demais.

   Tudo que era diferente, novo, já não tem mais o mesmo brilho, as coisas como elas são começam a ficar cinzentas e velhas. Um pouco de fluxo não faria mal, procurar alguém para amar, já não acontece mais, já machucou demais.

   Seus neurônios gostam de estímulos, e tudo o que você sabe fazer é relaxar, paramos de nos mexer, paramos de surpreender, essa coisa de ir e vir, falar e convencer, são sempre as mesmas pessoas, e mesmo com elas, ali elas não estão, e sem variar, lhe vem a imagem de você sentado acompanhado pela solidão.

   Utopia, por que não, por que sim? Ficar do jeito que estou, só acontece quando essa me escapou, por que insistem em te julgar? Por que não tentam apenas conversar? Visões superficiais te irritam, tentem ver mais, tentem ver além, se importar muito com opinião alheia não é interessante, por que não existe ninguém para você, ninguém que saiba o que você sabe, ninguém que queira saber o que você tem pra dizer.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

banho;


   Seja de sol ou de chuva mas que seja da natureza, da simplicidade em seu ser máximo, a inscrição de vida numa simples gota de chuva ou num simples raio de calor.

   Seja de paz, solidariedade ou de indiferença, indiferença quanto a cor, religião ou nacionalidade. Que seja um banho de cultura, de bem estar, que nos faça lembrar que as coisas mais simples de nossas vidas, podem ser as mais valiosas e aprenda a dar valor para estas mesmas. Que nos limpe da insatisfação do viver e do ser, mas não tire nossas tristezas e frustações, pois é com elas que aprendemos a levantar e nos reinventarmos.

   Dizer não a uma sociedade capitalizada pela compra e venda, pelo individualismo, egoísmo imbecil, e ao preconceito barato e sem explicação, essas e outras heranças culturais. Faça sua lavagem cerebral, não importando sua tribo ou religião, pois o destino conspira para aqueles que inspiram a paz e felicidade.

domingo, 1 de maio de 2011

Bem que te contém,

   Se trata tudo de um simples medo, essa sensação, associar tudo que você vê a algo em comum, as pessoas lhe perguntando "e agora o que fazer?", loucura pensar no que voltaria a acontecer, no que provavelmente pode acontecer. Mas e se tudo que você vê são cinzas, que você sabe, vão ser levadas pelo vento e dali um momento deixarão seu campo de visão, ou podem ficar, e não certamente, dali ressurgir essa tal fênix.

   Mas é essa sua personalidade tão antagônica, tão bipolar, que você sabe irá te fazer declinar por mais um sorriso mesclado as palavras certas, vai ser suficiente para se fazer fugir o controle e novamente estaremos em problemas iguais aos de sempre. Mas nem sempre tudo é como sempre é, girando por detrás do seus olhos, imagens e idéias se tornam um pensamento.

   Começam a faltar palavras, talvez a realidade tenha se distanciado de você, ou você dela.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

fé utópica,

   Não entender como pessoas tão sábias passaram a ser tão odiosas, faz parte desse lugar que tomou mais a sua alma do que era esperado, concluir é arte e duvidar faz parte. As pessoas começam a desviar seu pensamento, é impossível, não tem como relaxar se elas não deixam você pensar.

   Pode ser que não passe de sonhos idealísticos falsos da sua fértil mente, mas um mundo melhor não pode deixar de ser acreditado. Sair de uma ilha, de repente te colocam em novos mares, peixes novos no aquário, liberdade até onde se vê, com o vidro transparente percebemos o quão longe pode chegar, e o quão longe está da realidade do mar.

   Correntes presas as pernas, todos sorridentes olhando uns para os outros, caretice alheia irrita e não é suportável. Faroletes na sua cara, não te deixam pensar, senso crítico sempre com resposta antes da dúvida, será que vai ser difícil sorrir na rua? Será que não vão me prender de forma súbita? 

   Minha fé pode se tratar de algo utópico e sem fins, mas enquanto me permitirem acreditar, enquanto minha dignidade se levantar, sistema, estado ou miseravelmente pessoa quaisquer que for, poderá se expressar, mas não me fará declinar.

terça-feira, 15 de março de 2011

são meus vícios

   O salão de festa anda lotado, pessoas escandalosas com suas bebidas, em geral alcoólicas, e você sentado, em pé ou dançando, não para de pensar em com quem poderia estar, e como estaria ela longe. São tempos felizes, cheios de mudanças, o que antes eram meus vícios, talvez pela falta do que fazer ou até do que entender, trocar a realidade por um teclado e uma tela em branco fazia parte da rotineira solidão, tão vazia como ela realmente é.

   Será que é possível traduzir o mundo como ele é, seriam nossas palavras suficientes, ou não passam de letras meramente leigas sobre esse prazeroso assunto que é a vida. Não ter do que reclamar parece mais um motivo para reclamar, ironicamente o sorriso masca o chiclete em vez de direcionar-se a pessoa ao lado.

   É perturbador pensar no que pode estar acontecendo, sua confiança parece não ser mais tão grande, ainda penso em como seria se não tivesse sido. De qualquer forma, acreditar ou não no destino vai da cabeça de cada um, acordar todos os dias, de barriga vazia, não faz parte do meu cotidiano, cabendo a mim, agradecer por cada prato de comida, até cada passo dado em direção ao que o mundo é.

   O amor tomou conta das minhas veias não das minhas palavras, pelo menos não ainda, e enquanto tenho essa luz de razão ainda me ilumina. Meus pés começam a sair do chão, mas será que posso? Confiar mais uma vez em quem te magoou não parece razoável, mas se minha saúde depende disso, se minha vivacidade se agarra a essa causa, começo a crer que a razão do meu viver, independentemente do futuro, começa com você.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

lógicas e incógnitas

   E se tudo que um dia lhe fez feliz não mais te satisfaz, e se tudo que você adorava agora não passa de um fio de navalha numa história já contada. Falar de capitalismo e todos os seus idealismos se torna fácil, a partir que ideias a esmo invadem sua mente num súbito encontro de ideais relutantes que mais estão para uma injeção de ânimos.

   E se quando sua mãe sorri você sente que realizou o que um dia lhe disseram ser impossível, e se todos aqueles sorrisos que antes virados para você, hoje se colam abaixo do queixo e mostram sentir pena de si mesmos não sabendo se é arrependimento ou inveja. Quaisquer que seja, não me importa fazer calar essas pobres almas confusas e carentes, não me importa se riem ou sorriem, me importa o importante, o amor e a conciliação que na minha vida são levadas adiante.

   A música orquestrada guia as pegadas que vou deixando na chuva, andando em nuvens eu sei que estou melhor do que nunca, sem cabelo e dentes sem aparelho, já não sou mais uma criança, só não quero ser adulto, então fico nesse transe de felicidade e puberdade, rimando e aprendendo. Lágrimas só se forem de riso, o amor eu sei que vai acabar me encontrando e, enquanto espero a boca de mais alguns vou calando.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

tênis molhado.

   Parece que quando o céu escurece, ventos úmidos e gelados entram pelas janelas da casa e começa a se ouvir estrondos vindos de longe; passou da hora de dormir, que todo o ambiente não pode ser aproveitado enquanto o tempo continuar nublado. Pena dos que ainda não saíram de casa, que não puderam saciar a sede do ser com o principal produto que nos faz viver.

   Daquelas que chegam assim, bem de repente. Num dia de calor, mostrar como sou, num dia escuro onde o show é chuva. As gotas quando caem, parecem palmas apaixonadas de um público que ama seu cantor; e servem até pra quem nunca chorou, gelam os braços até de quem já guerreou.

   Alvos a esmo, polícia e bandido, até você e a mim mesmo. E depois de um certo tempo, os seus ou os meus, tênis coitados, daqueles sujos e furados, ou dos novos e bordados, parecem fazer unir os pés com as meias, e num momento você sente que assim conseguiria até dormir. E os tênis parecem começar a gostar, da chuva que nunca falha, te garantindo que o sol mais uma vez vai nascer pra brilhar.