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terça-feira, 23 de julho de 2013

Eu vi

Eu vi o meu rosto
naquele e naquel'outro
que faz da sua casa a rua.
Jogado a mercê
no frio da pena e da cidade.

Eu vi algumas casas e igrejas
Tão cinzas e quentes.

Eu vi a mim mesmo
com sacolas nos pés.
Sem esperança de afeto,
quanto menos algum teto.

Eu vi, eu vi
Me olharem feito um cão
Pudera!
Tratarem-me tão bem
quanto um vira lata.

Eu fui/sou:
o Edson,
              o Alex,
o Elton,
            a Célia,
e tantos outros pela qual
o cartório me permitiu ser.

Eu vi a esperança tão cinza
quanto os céus de São Paulo.

Eu vi, passar na faixa uma criança.
Mão dada a mãe.

Cada história mal contada
mal acabada.

Em ruas tão geladas

Eu vi um frio de arrancar lágrimas,
mas que não arranca a covardia
Contra a vida
de tanta gente sofrida.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Devaneio 1

Propósitos inexistentes
Fazem-me correr em direção ao 
nada
Nadando contra a maré
Dos desejos definidos e
Delineados pelo contorno de 
abstrações
Guiado pelo turbilhão
Das estações climáticas corporais
Do inverno a primavera
Vivendo do simples fato em si
a procura de um pouco de paz
Arrecadando participações belas
que me ajudam a retornar
Pr'onde nem sei como vim 

Devaneio 2

Eu não sei fazer poesia
Dar consistência ao inconsistente
Destrancar as gavetas das sensações.
Mas
ao menos
Aprendi a dar "bom dia!"
Agradecer a alegria
De,
por acaso,
Não serem minhas emoções
um mar de monotonia.