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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

transpiração.

   Não significa que o coração tenha deixado de bater, só não lhe são, porém, mais dadas atividades diárias antes consideradas obrigatórias. De vez em par, preciso de verdades, se tratando da situação em que mo encontro, mentiras transbordam para além da alma; alma essa, que não se tem concepção ou saber avançado, só se colocando como mais uma dessas teorias que se lê ou se escuta.
 
   A serenidade lhe fecha a janela perante situações drásticas, ou demasiado intoleráveis. O sofá, lhe serve como conforto quando o peito não mais consegue sentir calor, e o livro, de dicionário, quando palavras lhe faltam para descrever o temor; tal, que apenas se exige aparecer quando se fazem necessárias mudanças no que um dia  foi colocado como imutável.

   E esse amor, pelo silêncio, pela falta de vocábulos ditos e pelo excesso de displicência, arde como uma verdade que não contenta-se em calar, visto que factualmente, tudo o que se vê são momentos de degradação própria, em um paradoxo que se forma perante a atual conjuntura dos acontecimentos pessoais que lhe ocorrem e não contentam-se em estar a esmo diante de tantas boas opções a que recorrer, ou de preferência, falar e esperar ser escutado.

domingo, 4 de setembro de 2011

mãos dadas.

   Essa mania de definir-se em faces, classificar e taxar-se, características alheias tiradas de memórias ofuscadas pela rotina; talvez sejam suficiente para desatar qualquer nó nesse trapo velho e mal cuidado que chamamos paixão. Dizer o quanto as pessoas nos fazem mudar, talvez somente em minha concepção, é um erro tão grave quanto julgar saber quem somos por finalidade, quando talvez o que mude não seja você ou eu, mas sim a nossa influência exterior. Por natureza, sei que estou constantemente sendo influenciado externamente, e quando estabelecidos certos laços afetivos, essa influência segue uma linha invisível que me guia até o ponto final dessa mesma.

   Mais parecem janelas esses relacionamentos, enquanto você, de dentro de um quarto vazio vê infinitas possibilidades de horizonte, tendo apenas de estabelecer por quais janelas você prefere olhar. Não pelo fato de como aquela ou aquele nos completa, mas pelo que proporciona a nossa visão, novos horizontes e destinos, em suma, novas realidades a serem vistas. Algumas janelas por sua vez, estarão sempre trancadas, cabendo a nós decidir se queremos ou não abri-las e ver o que seu conteúdo nos reserva e o que pode nos acrescentar. Contudo, até mesmo o sol em certos momentos pode nos cegar, essa consciência cega, excesso de claridade, diga-se como bem quiser, e novamente caberá a nós saber julgar ser real ou não o que por natureza do ser passamos a ignorar.

   Portanto, não é pedir para que solte as mãos da pessoa que se têm presente neste momento a sua vida, mas que a aceite como livre para poder ir embora a hora que bem entender, e só então, saberá filtrar o que essa janela de novas visões poderá oferecer a você. Não passam de palavras vindas de quem sequer começou a abrir suas próprias janelas, que num começo distante atirou possibilidades a esmo, e depois que tudo sempre pareceu se fechar, as mesmas frestas de luz, essas que dou o nome de esperança, não pararam de iluminar meu chão que sempre se manteve estável, por mais que meus pés não o frequentassem como de rotina.