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segunda-feira, 21 de abril de 2014

À vida

É, de tantas outras cousas,
importante saber
Todavia,
Toda via
é vida
Cujo sabor amargo
Embriaga até o mais sabido

Tem sorte
Quem passa despercebido
Em verso sem rima
Sem rumo
ou raiz
De costas
Consentindo o duvidoso
Sendo o interstício
da pele
e do esboço

Corre
Cansa
Sua

Vê o menino descalço?
Pelado dos pés
já andou todo o bairro
Mas sua casa é a rua

Por dentro
tem órgão
sangue e esperança
E no seu sorriso
as vezes sem dentes
Se esconde a pergunta
de tanta andança

Cansa
Corre
Sua

À vida real
quente fria
Crua

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O sol da cidade
ferve nossa mente
E, acontece,
não raramente,
de ficarmos cinza
e sermos cinza
e cheirar cinza,
Até que pinte
algo que nos pinte
de loucura,
nem saudável
nem pura.

Ocupando a alma
clareando a calma.

Chuva
de gotas de porvir
de bobagens de amor
de tempo,
de passou.

Donde vem tanta água,
meu Deus?

Nas calçadas,
enxurradas
de culpa,
enxugando as ruas
Trocando as cores
por algo que inda
não posso ver.

É certo
escrever
e não querer ler?

Para tantas questões
a lua é confidente
e guarda em seu fulgurante baú
o existir de minhas ações.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Devaneios alheios.

Pensamentos
de facebook.

O que você faz
quando se vê escrevendo
o que não fala?

Será a paz
que você reivindica
tão justa
quanto a sua crítica?

Respeito à tradição?
- Bata continência;
Seu destino traçado
é só uma consequência.

Sua essência
d'um programa de computador
Tem mais valor
que toda a vida e amor...

Por favor,
não me peça silêncio
por pura vaidade.

Sua fala
- de pura Moralidade,
é só mais uma cicatriz
na sua já morta
Liberdade.

domingo, 29 de setembro de 2013

A beleza do feio
A parede branca
pixada
O gosto de cocaína
na saliva amarga

Os projeteis
Os flagrantes
Do mesmo jeito
Igual a antes

As igrejas empresas
O governo imprensa
O crime
essência da consequência

O fim
O começo
O sem teto
O seu endereço

O que você diz
O que acha que pensa
A falta de controle
O controle remoto

O sentimento que clama
O proibido
O ilícito
Tudo assim
Parece ideal
Mas no fundo
É fictício

sábado, 14 de setembro de 2013

Gosto do que desafia
o que sou,
Do que insiste
no que não sou.

Sou, por assim dizer,
Estar efêmero
e quase alucinado
De tanta lucidez.

Brilho que cessa
o definido de ser,
Mais escuro
que o próprio escuro
E faz do tempo
seu escudo.

Alegria e tristeza,
desgostoso de gostar,
faltoso em desejar.
Almejo tudo
como quem vê a si mesmo
Desperto,
de um grande sonho
Confuso.

Dia bom

São desses dias
em que rir
é fugir;
A tarde 
cai devagar
no ritmo do cantar
de pássaros,
Com o peso
de uma folha caindo
ou a leveza
De um sorriso abrindo.

Dia bom
é desses impossíveis
não ter música,
café e emoção.
Queria era fazer isso
a vida inteira,
Disso tudo
fazer carreira.

Dia bom
pode ser som,
pode ser qualquer hora,
pode ser café com poesia
e até, amor e amora.
Só não pode
ser de ironia,
Fazer o que não queria

sorrir sem alegria...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Conversar,
Ouvir e calar.

Falar,
abrir e despir-se.

A solidão mora
num buraco
no meio do peito
do tamanho
duma amora.

Será que não fala
quem cora?
E cala
quem fala?

Ouvir,
flutuar..

Cala por coragem
ou
late por vantagem?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Eu riacho

Aos meus sentimentos cascata
a qual cada um insiste
se fazer minha casa,
Fazendo-me nadar
nesse interstício entre o tudo
e o nada. 
Serão eles
a prancha que me separa do mar?

Onde vamos parar?
Esse processo me tira a paciência
e a escalada da vida
Sempre parece... Tudo.
Nada.

Correr a linha subjetiva
é a vontade última dos homens,
Passar tudo tão rápido,
quanto o próprio ato de ser feliz.

O passado é tudo o que existe
e o presente vem passando.
Palpito, sem qualquer certeza,
ser o nosso objetivo
Tentar seguir andando...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Eu artesão de mim

O aqui vive.
Argamassa de certezas e mistérios,
Dúvida repentina e eterna,
Solidez fugaz de tudo e nada.

Caminho numa estrada vazia de vazio,
Dividido pelo que quero e queria
Resguardo-me às vontades da
Vida, que me faz de vítima e criminoso,
Nas ações da minha própria pessoa.

Têm coisas que faço
Sem haver um porque.
Mas, pensando bem,
Também não conheço os porques
dos meus por ques.

Não entendo de explicações
que insistem serem impostas;
Não entendo de imposições
que preferem não se explicar.

Será que a única via à se seguir
é o simples ato de continuar a ir?
Pessoas ordinárias e extraordinárias
- dizem autores nem tão antigos -
formam a humanidade.

Utopia coletiva e utopias individuais.
Gostaria mesmo
de poder unir todas as diferenças
E traduzi-las ao ato
de moldar o mundo feito um vaso de paz.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Escolher (?)

Pare e pense
O que é mais recorrente
que o antagonismo da nossa mente?

Tantas são as possibilidades
E o infinito parece um mar.
Como encontrar-se
Se as esquinas viram 180°?

Será que o caminho é o caos?
Ou as coisas por si só
explicam-se em suas confusões?

Confundem-se apenas pensamentos
filamentos de uma realidade parcial,
Convulsões de vida!
Chocando-se com discernimentos
mal divididos.