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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

De costas

Rostos,
Já não gosto mais.
Dizem muitas vezes
o que não são.

Sob um par de pés
que vão para
Algum lugar
que eu não sei
qual é.

Prefiro as costas.

Mesmo não dizendo nada
Trazem a tona
Uma silhueta familiar
que eu sei
Pra onde vai,
pra onde foi
e pra onde...
Não posso mais ver.

Deixa para lá,
passou alguém
e eu nem vi.

sábado, 24 de novembro de 2012

culpa

Quando seus valores mais 
corretos
Começam a sussurrar lá 
no fundo 
Daquilo que você chama 
consciência
Coisas como: "você é um
bosta." 

Acredite.

A madrugada vai parecer
tão inerte
quanto você.

E a maré 
que como uma boa bohemia
Entra em ressaca.

Na escuridão,
o barulho das ondas 
e o peso da cabeça
se destacam.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Casa arrumada

Não, eu não me basto
Apenas faço
Apenas sinto
Apenas sou
Apenas sei que sei

Não me redimo
Mas ainda me controlo
Se eu chorar,
Quem vai ligar?

As vezes a vida segue reta
Sem cor nem sabor
Mas ela sempre propõe,
Uma curva
Que seja uma dor
Toc! Toc!
Está na porta o amor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

bivalências

Alterado estou eu
Separando o verde do cifrão
Acreditando mesmo que em vão
No meu futuro e no seu

Felicidade quero eu
Pra poder saber o que me faz bem
Sem nunca querer o mal de ninguém
Sigo caminhando em linhas tortas
Atravessando desafios de porta em porta

E dizem que a liberdade morreu
Só de saber sem querer
Os materiais que cada um quer ter
Num pensamento altruísta
Que vai além dessas merdas pessimistas

Dignidade, alegria e liberdade
Estou disponível no intransponível
É subjetivo o nosso objetivo
E a adaptação flui
Como o amor de quem o possuí

domingo, 4 de novembro de 2012

um brinde ou não.

As vezes
a gente tem vontade
de morrer acho que só
para saber
o quão somos importantes.
Esquecendo sempre
a nossa imensa importância
de não saber
quem nós somos.
Feliz, vez em quando,
é aquele que sabe quem é
Mas do que seria a felicidade
sem a melancolia?
Sem ser senão
um imenso vazio
compelido ao imutável
Igual todos os dias?

sábado, 3 de novembro de 2012

De passagem.

Sinto-me perdido
Em meio a infinitos significados
Esperando por um novo mundo
Os paradigmas se abrem
Num leque frontal a você

Diga para mim
o que é realmente certo?
Minha concepção tão idiota
Quanto a qualquer outra
Na espera de uma mentira
Que realmente valha pena

Pertenço a todos os mundos
Sem qualquer pertencimento
Entre a vida e a morte
Não quero ser só um mecanismo
Nem fazer valer o irrealismo
Elaboro espaços belos e sublimes
Para quase me tornar
Ao menos um bom sonhador

Interpretar eu mesmo
Através do peso nos ombros
Nativo da ingratidão
Movido pelo coração

Estou de passagem
E a passeio
Eu creio no caos
Da liberdade estamos todos
Presos
Divididos ao meio.

domingo, 28 de outubro de 2012

Ver ou ser.
Crer ou ver.
Ser e crer.
Ter para ver.
Ser para ter.
Ter e viver.
Ser. Morrer.

sábado, 27 de outubro de 2012

eu sense.

Vêm e vão as dores,
Os temores e os motivos
Dos tremores de desaviso
Numa inconstância poética
De causas sem valor
Até onde eu for
E não querer mais ser
Uma figura sem cor.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dualidades

Entre a felicidade e o bem
Entre a melancolia e o não espaço
Seguimos vivendo então
Por uma trilha tortuosa
Que a vida coloca em nosso nome.

Por uma mente sem miséria
Professores do crime
Desigualdade e pilhéria
Por uma vida boa sem fome
De longe ouço chamar a mentira.

A culpa de saber por onde vim
A responsabilidade de ir na contra-mão
Desde a infância até a ganância
Criança homem não se engane
A realidade tão vazia quanto a idade
Mas faz parte disso até nossa felicidade.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

até quando?

Amor pelas ideias,
de cheiros,
de sabêres,
de rostos e toques,
de gostos e sabores.

E pela meia verdade
a esperança
o meu porto seguro
num tom maior que ser
sigo buscando
pela subjetividade
o que ainda podemos ver.