Ver ou ser.
Crer ou ver.
Ser e crer.
Ter para ver.
Ser para ter.
Ter e viver.
Ser. Morrer.
domingo, 28 de outubro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
eu sense.
Vêm e vão as dores,
Os temores e os motivos
Dos tremores de desaviso
Numa inconstância poética
De causas sem valor
Até onde eu for
E não querer mais ser
Uma figura sem cor.
Os temores e os motivos
Dos tremores de desaviso
Numa inconstância poética
De causas sem valor
Até onde eu for
E não querer mais ser
Uma figura sem cor.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Dualidades
Entre a felicidade e o bem
Entre a melancolia e o não espaço
Seguimos vivendo então
Por uma trilha tortuosa
Que a vida coloca em nosso nome.
Por uma mente sem miséria
Professores do crime
Desigualdade e pilhéria
Por uma vida boa sem fome
De longe ouço chamar a mentira.
A culpa de saber por onde vim
A responsabilidade de ir na contra-mão
Desde a infância até a ganância
Criança homem não se engane
A realidade tão vazia quanto a idade
Mas faz parte disso até nossa felicidade.
Entre a melancolia e o não espaço
Seguimos vivendo então
Por uma trilha tortuosa
Que a vida coloca em nosso nome.
Por uma mente sem miséria
Professores do crime
Desigualdade e pilhéria
Por uma vida boa sem fome
De longe ouço chamar a mentira.
A culpa de saber por onde vim
A responsabilidade de ir na contra-mão
Desde a infância até a ganância
Criança homem não se engane
A realidade tão vazia quanto a idade
Mas faz parte disso até nossa felicidade.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
até quando?
Amor pelas ideias,
de cheiros,
de sabêres,
de rostos e toques,
de gostos e sabores.
E pela meia verdade
a esperança
o meu porto seguro
num tom maior que ser
sigo buscando
pela subjetividade
o que ainda podemos ver.
de cheiros,
de sabêres,
de rostos e toques,
de gostos e sabores.
E pela meia verdade
a esperança
o meu porto seguro
num tom maior que ser
sigo buscando
pela subjetividade
o que ainda podemos ver.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
A verdade mentiu para mim.
Compreendo agora não ser uma questão de crença
Minhas vontades e razões sem liberdade
Mas isso, é claro, foi tudo que me disseram
E escolhas independentes foram ofuscadas
Pelo quê? Talvez o rapaz bem sucedido saiba dizer.
Nem mesmo a fome do pão ou da carne
Deixam de ser reflexos do que um dia pude crer
Concepções captadas, reformuladas e... Precariezadas?
Feito as pressas será que
está mesmo tudo tão errado?
Vejo meu reflexo.
E ele se divide
Para finalmente não ser
O que pensava parecer.
O ar que respiro está pesado.
Não sei distinguir entre certo ou errado.
Não sei definir minhas crenças e ações.
Não sei quem é você.
Talvez eu não saiba
Mas a verdade é desvairada, confusa
E se você não perceber
Ela pode te fazer crer
Que você a encontrou.
Minhas vontades e razões sem liberdade
Mas isso, é claro, foi tudo que me disseram
E escolhas independentes foram ofuscadas
Pelo quê? Talvez o rapaz bem sucedido saiba dizer.
Nem mesmo a fome do pão ou da carne
Deixam de ser reflexos do que um dia pude crer
Concepções captadas, reformuladas e... Precariezadas?
Feito as pressas será que
está mesmo tudo tão errado?
Vejo meu reflexo.
E ele se divide
Para finalmente não ser
O que pensava parecer.
O ar que respiro está pesado.
Não sei distinguir entre certo ou errado.
Não sei definir minhas crenças e ações.
Não sei quem é você.
Talvez eu não saiba
Mas a verdade é desvairada, confusa
E se você não perceber
Ela pode te fazer crer
Que você a encontrou.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sobre o espelho
A minha lucidez vazia
que prefere esperar
fazendo parecer correta
essa vontade de me mudar.
A graça de não se abalar
de parecer e não ser
atravessar a barreira do visível
quando só alguns podem ver.
A coragem de me fazer mudar
mesmo que sem saber
por becos e estradas
na finitude do meu infinito ser.
que prefere esperar
fazendo parecer correta
essa vontade de me mudar.
A graça de não se abalar
de parecer e não ser
atravessar a barreira do visível
quando só alguns podem ver.
A coragem de me fazer mudar
mesmo que sem saber
por becos e estradas
na finitude do meu infinito ser.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Papéis Avulsos
Estava quente e o sol ardia em seu rosto, o
banco, que na noite passada fizera bem o papel de cama, soava desagradável em
suas costas ao ouvir os estalos da madeira velha e seca. Pois bem se levantou e
espreguiçou-se, “como fazem os bons felinos” pensou consigo. A boca seca
fê-lo olhar para o céu como um lavrador em tempos de seca ora por
chuva; os motivos eram distantes, mas a sede por uma garantia de sobrevivência
se equiparavam afinal.
Observou a avenida movimentada a sua frente
por alguns minutos ali de pé e, num súbito desentendimento com a realidade, se preocupou em desamassar as roupas e procurar por alguém para conversar.
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João acabara de acordar e, com os olhos
ainda fechados, escovava os dentes de pé em frente ao espelho sob a pia. Na
cozinha, sua mãe preparava o café ao mesmo tempo em que falava no telefone com
uma amiga.- João! O café está pronto! Anda menino, vai se atrasar para a aula!
O rapaz, agora deitado em sua cama, já vestido e pronto para o que considerava sua rotina automática (acordar, comer, estudar, dormir) levantou-se, olhou pela janela – morava no oitavo andar de um edifício no centro da cidade – e viu as pessoas, como sempre cheias de pressa, indo para algum lugar. Deu meia volta e direcionou-se para a cozinha onde a mãe, com o dom que possuem muitas mulheres, falava ao telefone, lavava a roupa e a louça da cozinha ao mesmo tempo em que terminava de servir o café, não competindo dizer que, ainda por cima, cantava a música que tocava naquele momento no rádio.
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Na
rua, João esperava pelo ônibus quando um homem, de longas barbas, roupa rasgada
e hálito parecido a aguardente com cigarros parou ao seu lado e, de frente para
a avenida, indagou:- Tanta pressa e tão pouco tempo... Seja rico ou pobre, estamos todos perdidos, não concorda?
O rapaz, um pouco indiferente, apenas assentiu positivamente com a cabeça e o homem continuou:
- Sabe meu filho, eu tenho 48 anos ao todo e só 26 de vida, e...
- Não entendo. Como pode o senhor ter duas idades, duas vidas em uma? - Interrompeu João.
- Ora, é fácil! – O homem excitou-se com a atenção ganha – Tenho 26 anos de liberdade; aos 22, eu era assim, igual esse pessoal apressado – E apontou para a avenida.
- Mas o senhor faliu? Abandonou tudo? – João interessava-se cada vez mais.
- Fali sim, e junto com a falência o meu mundo caiu, minha mulher me abandonou e nunca tive um bom contato com a família. A vida passou a ser uma lástima, entende? Mas ai, me descobri cego diante de tanta clareza e, mergulhado na escuridão, ofusquei o superficial e o irrelevante que eu tanto pensava serem a luz da minha vida.
João se pôs pensativo, afinal, o pensamento daquele sujeito coincidia com o seu, e continuava:
- Olha, não me leve a mal, mas toda essa idéia de se ter uma meta, um objetivo na vida, é papo de quem nasce com mamadeira de cristal! Afinal, você acredita mesmo que esses riquinhos possuem dons naturais? Conversa para pobre desistir...
João assentiu novamente; de longe viu sua condução se aproximar e tentou se despedir do homem a qual ouvira parte significativa da vida, mas encontrou somente uma figura distante, caminhando, provavelmente, em direção ao improvável. Deu sinal e entrou, observou da janela o homem por uma última vez, pouco antes de se perder em meio a confusão de pressas.
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Durante a noite, após o jantar, já deitado
em sua cama, o pensamento do rapaz novamente se voltou ao estranho que
conhecera e não conseguiu evitar as palavras que saíram quase imperceptíveis de
sua boca:- Aprendi mais com um mendigo do que em todos esses anos de escola...
Pensou naquele encontro o dia todo, não podia deixar que aquilo o afetasse tão ferozmente. Aquietou a mente, virou para o lado e enganou a si mesmo quando pensou aquietar a mente.
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Final 1Caminhando madrugada a fora, o homem procurava por algo, não sabia o quê, mas continuava a caminhar. Sentou-se e encostou na parede de um edifício qualquer e sentiu um aperto no peito.
- Finalmente! - Exclamou para si e, diante dele, tudo começou a escurecer, sobrando apenas um último pensamento:
"Olá, liberdade!" E parou de respirar, ali, encostado em seu objetivo final.
Final 2
Caminhando madrugada a fora, o homem procurava por algo, não sabia o quê, mas continuava a caminhar. Sentou-se e encostou na parede de um edifício qualquer e sentiu um aperto no peito. Vez em quando sentia saudades, mas também não sabia do quê. Talvez fosse apenas falta e não saudade. Falta de coisas que nunca existiram.
Começava a pegar no sono quando um cão sem
dono se encostou ao seu lado, num gesto quase indecifrável para a nossa frágil compreensão
de confiança e, olhando para o novo amigo peludo falou:
-É, meu querido, a felicidade passa e a
tristeza também... O que sobra além?
O cão, como um bom ouvinte, olhou para o
homem e pareceu entender. Conforme pegavam no sono, podia-se notar um sorriso
no estranho e, no fundo dos seus pensamentos, quase se podia ouvir o
indecifrável que a paz sugere.
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