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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

o diabo veste detalhes.

   É estranho não ter mais aquela velha "inspiração", ultimamente a vida mais parece com o refrão daquela boa velha da Cássia Eller: "Socorro! Não estou sentindo nada!". Mas, quando você lembra não estar mesmo, vêm aquela enorme e célebre, que mais parece um carro alegórico de carnaval atravessando uma de suas orelhas e saindo pela outra, filho da culpa...

   A internet já não parece aquela magia de antes, não é mais tão fácil conversar, talvez pela necessidade quase  irreal de se ter o contato com os cinco sentidos. Risos e palmas, tudo mentira barata, quando se sabe a dificuldade que existe em manter conversas hiper conectadas numa tela que a noite, mais parecem queimar as suas retinas. E depois de um monte de filmes, enfurnado dentro de casa, você acaba acreditando, por mais descrente que seja, em finais felizes, e graças a eles, por algum motivo que ainda não consigo identificar, vou procurar algo parecido em conversas de facebook, que sempre terminam com o notebook aberto e meus olhos fechados.

   Reclamam que você não é flexível, que sempre quer ter a razão e não notam, que no mesmo momento que dizem isso, está concordando com eles. Não quero ter razão, exemplos já me mostram que razão é só mais um adjetivo para as nossas atitudes, pra tudo, alguém ganha e alguém perde - e a isso me refiro não só a seres "pensantes". E a verdade, que ultimamente não vale nem o que defecamos, coitada... Colocaram ela numa dessas valas, daquelas antigas que se usavam em sítios para satisfazer o chamado da natureza, e cobriram com todas as suas palavras digeridas, idéias dissolvidas.

   Tô tentando ser otimista, acredite. A física quântica diz que nós nem sequer nos tocamos, então, a internet é o futuro, o problema mesmo, deve ser esse imediatismo em querer ser feliz, afinal, a vida são os grandes momentos, e o diabo está nos detalhes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

me disseram;

   Essas noites de verão insuportavelmente quentes, sem nuvens que te tragam lembranças - lembranças que correm o risco de sequer existirem - e co-responsáveis por trazerem pessoas a porta de sua residência. Calorosas são as saudações entre você e eles, no fundo, isso tudo pouco importa, a realidade é que estão ali atrás de outra coisa, outros valores. Culpa dessa necessidade - falsa - mútua dos demais por uma satisfação regada a relações humanas e prazeres instântaneos, toda essa merda que você escuta em toda a sua vida como: "Não somos ninguém sem alguém!". Bom, eu discordo, para isso deixo a palavra com os ermitões que a Record não se cansa de mostrar.

   Procurar erros já se torna uma especialidade, e claro, essa sociedade, essa organização, o que temos de fazer, como temos de nos vender, o que vestir, para onde ir. E dizem para mim, "queria ser 'foda-se' assim como você.", mas será que ligar o foda-se, não seria uma injeção de verdade? Verdade intangível, a qual ninguém realmente quer saber, camuflada propositalmente pelos contos de fada modernos, onde sempre alguém especial apenas o é, se possuir uma alma gêmea que lhe camufle todas as imperfeições e esbanje todas as suas virtudes.

   Especial? Tô mais pra especialista, especialista em tentar não me apegar, tentar não sofrer, tentar não pensar, tentar fazer o 'certo'. Em suma, especialista em tentar. Poderia vir até em casa, uma dessas babás encantadas, com poderes mágicos e o dom de trazer felicidade! Oh, merda! Voltamos a felicidade proporcionada por relações humanas unicamente mágicas e especiais; vê? Qual a sua verdade?